Meio ambiente

Árvore da Mata Atlântica resiste a calor extremo e rejeitos de mineração, aponta estudo da UFMG

Resiliência destaca potencial da espécie para programas de restauração de áreas impactadas pela mineração

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 16/12/2025 às 15:27.Atualizado em 16/12/2025 às 16:06.
Folhas da pitanga-preta (Eugenia florida), espécie nativa da Mata Atlântica (Isadora Medina)
Folhas da pitanga-preta (Eugenia florida), espécie nativa da Mata Atlântica (Isadora Medina)

Uma árvore nativa da Mata Atlântica apresentou capacidade incomum de sobreviver a solos contaminados por rejeitos de mineração e a temperaturas extremas, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (16) por pesquisadores da UFMG. O estudo indica que a pitanga-preta, cientificamente conhecida como Eugenia florida, mantém alta eficiência fotossintética e ativa mecanismos fisiológicos de defesa mesmo em áreas afetadas pelo rompimento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana, em 2015.

Os pesquisadores analisaram a espécie em áreas contaminadas e não contaminadas da bacia do Rio Doce, avaliando tanto as condições do solo quanto 16 variáveis fisiológicas ligadas à nutrição, fotossíntese, fotoproteção e tolerância ao calor.

O trabalho, publicado na revista científica Theoretical and Experimental Plant Physiology, é resultado de uma parceria entre UFMG, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade de Oxford e o Centro de Conhecimento em Biodiversidade (INCT/CNPq/MCTI). 

Solo degradado e respostas adaptativas

As análises confirmaram que os solos atingidos pelos rejeitos apresentam baixa fertilidade, pouca matéria orgânica, redução de nutrientes essenciais e alta concentração de ferro. Ainda assim, a pitanga-preta conseguiu compensar essas limitações.

Mesmo com uma redução no balanço de nitrogênio, as plantas aumentaram a produção de clorofila e flavonoides, compostos importantes para a proteção celular contra o estresse ambiental.

Segundo o estudo, a eficiência da fotossíntese permaneceu estável nos indivíduos que crescem em áreas contaminadas. Isso ocorre porque a espécie consegue reorganizar o metabolismo e ativar mecanismos de fotoproteção, reduzindo perdas de energia e mantendo o funcionamento do sistema fotossintético mesmo sob múltiplos estresses.

Mais tolerância ao calor em cenário de crise climática

Outro dado relevante é que as plantas estabelecidas em solo contaminado mostraram maior tolerância ao calor. Elas só começam a perder metade da eficiência fotossintética em temperaturas cerca de 6,5% mais altas do que aquelas suportadas por plantas de áreas não impactadas. Para os pesquisadores, esse fenômeno indica um tipo de “tolerância cruzada”, em que a exposição prolongada a um estresse, como o solo degradado, aumenta a resistência a outros, como ondas de calor.

Esse comportamento é considerado especialmente importante diante do avanço das mudanças climáticas e do aumento da frequência de eventos extremos, como períodos prolongados de calor intenso.

Com base nos resultados, os autores concluem que a pitanga-preta apresenta elevada plasticidade funcional, coordenando mecanismos de fotoproteção, equilíbrio energético e defesas antioxidantes para sobreviver em ambientes severamente degradados. Essa resiliência destaca o potencial da espécie para programas de restauração de áreas impactadas pela mineração, especialmente em matas ciliares expostas a estresses climáticos.

Os pesquisadores reforçam que os achados reforçam a importância de investir em soluções baseadas na natureza, com o uso de espécies nativas capazes de responder a múltiplos estresses ambientais, contribuindo para a recuperação de ecossistemas tropicais degradados.

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