Beatriz foi morta a pauladas e tijoladas; cova já estava aberta antes do crime, diz PC
Segundo a investigação, assassinato foi premeditado; corpo da jovem foi encontrado enterrado em área rural de Jaboticatubas, na Grande BH

Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, foi morta a pauladas e tijoladas, e a cova onde o corpo foi enterrado já havia sido aberta antes do assassinato, o que aponta para um crime premeditado. As informações foram reveladas pelo delegado Alexandre Fonseca, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), durante coletiva nesta quinta-feira (22), sobre o feminicídio da jovem em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A Polícia Civil ainda aguarda os resultados dos exames periciais para esclarecer outras circunstâncias da morte, incluindo a suspeita de utilização de soda cáustica e a possibilidade de a vítima ter sofrido outras formas de violência.
O chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Júlio Wilke, classificou o assassinato como um crime de extrema crueldade.
“É um caso asqueroso, é um caso que chocou não só a sociedade, mas também os nossos profissionais de polícia. Todos que trabalharam incessantemente no caso ficaram bem impactados com a crueldade”, afirmou.
O corpo de Beatriz foi encontrado nessa quarta-feira (21) com as mãos e os pés amarrados. A identificação inicial foi feita por meio de uma tatuagem extensa na perna, reconhecida pelo irmão da vítima, que acompanhava as diligências.
Casal preso
O ex-namorado de Beatriz, de 18 anos, e a atual companheira dele, de 23, foram presos na quarta-feira (21), após a localização do corpo. Os dois foram autuados em flagrante por ocultação e destruição de cadáver, conforme a Polícia Civil, e são investigados pelo feminicídio.
Em depoimento, o rapaz admitiu que dirigia o Volkswagen Up branco utilizado para abordar Beatriz nas proximidades de um bar, na noite do desaparecimento. Entretanto, atribuiu o planejamento e a execução do crime à adolescente de 15 anos que também estava no carro. A atual companheira permaneceu em silêncio.
A adolescente foi ouvida inicialmente como testemunha, mas sua participação ainda é investigada. Os policiais apreenderam o celular dela e de outros envolvidos para aprofundar as apurações sobre o planejamento, a execução e a ocultação do corpo.
Corpo encontrado em loteamento
Beatriz estava desaparecida desde 9 de outubro e foi encontrada morta 12 dias depois, em uma área conhecida como Loteamento dos Portugueses. O local, segundo a polícia, é uma área ainda em construção, com trechos de mata e terrenos abertos.
A localização do corpo ocorreu após a adolescente de 15 anos, que estava no carro utilizado para abordar a vítima na noite do desaparecimento, indicar aos investigadores a região onde Beatriz havia sido enterrada.
Durante as buscas, um policial identificou sinais de terra remexida e a presença de moscas sobre o terreno. A equipe iniciou uma escavação e encontrou o corpo da jovem, que estava em uma cova de profundidade baixa a média.
“Ele identificou essa terra rebatida e moscas sobre a terra. Então, a gente tem uma experiência, a gente já tinha equipamentos para cavar”, relatou o delegado Alexandre Fonseca.
Nas proximidades da cova, os investigadores também encontraram um chinelo de Beatriz e a capa do celular dela.
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