
Um morcego foi recolhido no bairro Funcionários, na região Centro-Sul, e testou positivo para o vírus da raiva, conforme informou a Prefeitura de Belo Horizonte nesta terça-feira (23).
Com este registro, a capital mineira já soma 19 morcegos identificados com a doença em 2025. Segundo o executivo municipal, em 2024 foram 28 casos contabilizados.
Após novo caso identificado na capital, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou uma ação de bloqueio vacinal em um raio de 300 metros do local onde o animal foi encontrado. "Agentes de Combate a Endemias percorrem os domicílios da área delimitada para vacinar cães e gatos, além de orientar os moradores sobre medidas de prevenção", detalhou a PBH em nota.
Raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados
O Ministério da Saúde explica que a raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo passar também por meio de arranhões ou lambidas desses animais em mucosas ou feridas.
O período de incubação varia entre as espécies, mas nos seres humanos a média é de 45 dias após a contaminação, podendo ser mais curto em crianças. Alguns fatores reduzem a incubação, como a a carga viral inoculada e a facilidade de o vírus chegar ao cérebro a partir do local do ferimento.
Após a incubação, o paciente passa por um período de dois a dez dias com mal-estar geral, pequeno aumento de temperatura, anorexia, dor de cabeça, náuseas, dor de garganta, entorpecimento, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia.
Depois disso, a doença passa para um quadro mais grave, causando ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares generalizados e convulsões. Esses espasmos evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e prisão de ventre grave. Esse agravamento pode durar até sete dias, e o quadro terminal é antecedido por um período de alucinações, até que o paciente entre em coma e morra.
Doença letal
A raiva raramente tem cura, e mesmo os tratamentos mais atuais dificilmente têm sucesso. Quando a profilaxia antirrábica não ocorre em tempo oportuno e a doença se instala, o protocolo de tratamento da raiva humana inclui a indução de coma profundo, o uso de antivirais e outros medicamentos específicos, mas a letalidade permanece de quase 100%. Em toda a série histórica da doença no país, somente duas pessoas sobreviveram.