SAÚDE FEMININA

Burnout materno: maioria das mães relata esgotamento mental; entenda sintomas e como prevenir

No mês dedicado às mães, pesquisa alerta para sobrecarga e falta de rede de apoio; psicóloga detalha como identificar sinais físicos e emocionais

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 08/05/2026 às 16:41.Atualizado em 08/05/2026 às 17:17.
Burnout materno também pode afetar o vínculo com os filhos, já que o esgotamento impacta a disponibilidade emocional da mãe (Freepik/Divulgação)
Burnout materno também pode afetar o vínculo com os filhos, já que o esgotamento impacta a disponibilidade emocional da mãe (Freepik/Divulgação)

Às vésperas do Dia das Mães, o debate sobre a saúde mental das mulheres ganha força. Embora a data celebre o amor e o cuidado, pesquisa faz alerta sobre o burnout materno: estado de exaustão física e mental relacionado à criação dos filhos e sobrecarga de funções. O tratamento envolve acompanhamento psicológico e, em alguns casos, uso de medicação. 

O relatório Burnout Parental, realizado pela Kiddle Pass em parceria com a B2Mamy, revela que 90% das mães brasileiras relatam sintomas da síndrome. Ainda que o cansaço seja um acompanhante comum da maternidade, especialistas advertem para casos em que o esgotamento ultrapassa a capacidade de recuperação, levando o corpo ao colapso e impactando no bem-estar da mulher e no desenvolvimento dos filhos. 

Burnout ocorre quando o estresse deixa de ser pontual 

De acordo com a psicóloga Karina Siqueira, da Hapvida, o burnout materno ocorre quando o estresse deixa de ser pontual e passa a provocar reações graves, como ansiedade, desânimo intenso e sintomas físicos. “Quando o estresse começa a gerar sintomas físicos e emocionais mais intensos, já estamos diante de um quadro de burnout materno”, explica. 

Segundo a profissional, o burnout materno se diferencia do estresse comum pela persistência. A especialista explica que o corpo começa a somatizar a carga emocional, gerando reações sistêmicas como dores de cabeça tensionais, episódios de enxaqueca, falta de ar, taquicardia, tremores, distúrbios gastrointestinais e insônia. 

“A mudança de comportamento é outro indicativo importante, especialmente a anedonia, que ocorre quando a mulher perde o interesse por atividades antes prazerosas e não encontra energia sequer para cuidados básicos do dia a dia”, afirma. 

Falta de apoio aumenta o risco 

A ausência de rede de apoio é um dos principais fatores de risco. Mães solo, mulheres em situação de vulnerabilidade ou que acumulam múltiplas jornadas —trabalho, cuidados com a casa e com os filhos — têm maior chance de desenvolver o quadro. “A falta de suporte aumenta significativamente o risco de esgotamento”, destaca Karina.  

Os efeitos não se restringem à mãe. O burnout materno também pode afetar o vínculo com os filhos, já que o esgotamento impacta a disponibilidade emocional da mãe, o que pode gerar, na criança, a sensação de negligência ou afastamento. 

“A mãe provavelmente não terá condições de manter esse contato pleno e a criança pode sentir esse distanciamento”, alerta a psicóloga. A especialista do Hapvida também destaca que, após o período de adoecimento, é comum que a mulher enfrente sentimento de culpa. 

Humanização da maternidade 

Karina Siqueira reforça que a participação direta do cônjuge, de familiares e até de amigos ajuda a dividir responsabilidades, garantir momentos de descanso e reduzir a sobrecarga. Para mudar o que revelam as estatísticas, o primeiro passo seria questionar os padrões impostos às mulheres, que sofrem pressão social para exercer uma maternidade impecável, o que contribui diretamente para o adoecimento mental, aponta a psicóloga. 

“Existe uma cobrança cultural invisível para que a mulher seja autossuficiente em tempo integral, mas essa perfeição é inalcançável. Reconhecer os próprios limites, aceitar ajuda e dividir as tarefas não são sinais de fraqueza, mas passos fundamentais para preservar a saúde e o próprio vínculo com os filhos”, conclui Karina Siqueira. 

O tratamento do burnout materno envolve acompanhamento psicológico e, em alguns casos, uso de medicação. “O ideal é buscar ajuda já nos primeiros sinais, como tristeza persistente ou crises de ansiedade, para evitar o agravamento do quadro”, orienta a psicóloga. 

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