INTERVENÇÕES URBANAS

Câmara cobra explicações da PBH sobre retirada da ciclovia da Afonso Pena e blocos da Stock Car

Questionamentos foram aprovados pela Comissão de Administração Pública e Segurança Pública

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 17/06/2026 às 19:41.Atualizado em 17/06/2026 às 19:44.
Comissão da Câmara aprovou pedidos que cobram da Prefeitura de Belo Horizonte explicações sobre a retirada da ciclovia e permanência dos blocos de concreto instalados para a Stock Car  (Wesley Rodrigues / HD)
Comissão da Câmara aprovou pedidos que cobram da Prefeitura de Belo Horizonte explicações sobre a retirada da ciclovia e permanência dos blocos de concreto instalados para a Stock Car (Wesley Rodrigues / HD)

A Prefeitura de Belo Horizonte terá de prestar esclarecimentos sobre dois temas que vêm gerando debate na capital: a retirada da ciclovia da Avenida Afonso Pena e a permanência dos blocos de concreto instalados no entorno do Mineirão para a realização da Stock Car. Os questionamentos foram aprovados nesta quarta-feira (17) pela Comissão de Administração Pública e Segurança Pública da Câmara Municipal.

Os pedidos de informação serão encaminhados ao Executivo municipal e buscam detalhar custos, impactos, cronogramas e justificativas para as intervenções. As duas medidas têm provocado reações de moradores, ciclistas, motoristas e especialistas em mobilidade urbana.

Ciclovia da Afonso Pena volta ao centro da discussão

O primeiro requerimento, de autoria do vereador Uner Augusto (PL), pede informações sobre a remoção da ciclovia implantada na Avenida Afonso Pena, na região Centro-Sul da capital. Entre os questionamentos estão o custo estimado para a retirada da estrutura, a destinação do espaço que era ocupado pela faixa destinada às bicicletas e o cronograma das obras. 

O parlamentar também quer saber se a prefeitura realizou estudos comparando os custos de manutenção da ciclovia com os da remoção e se haverá contratação de novos serviços ou aditivos contratuais para a execução dos trabalhos. Outro ponto abordado é o destino dos materiais retirados e a possibilidade de implantação de infraestrutura cicloviária alternativa para compensar a eliminação do trecho na principal avenida da cidade.

A ciclovia fazia parte do projeto de revitalização da Avenida Afonso Pena, que previa a construção de 4,2 quilômetros de estrutura cicloviária. As obras começaram no fim de 2023, mas foram interrompidas em abril de 2024 após questionamentos judiciais.

No último sábado (13), o prefeito Álvaro Damião anunciou o início da remoção dos trechos já implantados. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que a ciclovia contribuiu para o agravamento dos congestionamentos na região e classificou a estrutura como "polêmica".

A decisão também provocou reação de entidades ligadas à mobilidade ativa. O grupo Ciclo Rota BH entrou com um pedido de urgência na Justiça para tentar impedir o desmanche da ciclovia. Segundo integrantes do movimento, cerca de R$ 314 mil já teriam sido investidos na execução da obra e outros R$ 300 mil em projetos e planejamento.

Em nota divulgada anteriormente, a prefeitura informou que uma reavaliação técnica identificou impactos no trânsito que não teriam sido previstos nos estudos iniciais. Segundo o Executivo, a ciclovia ocupava cerca de 12% da largura da via no trecho implantado e reduzia a capacidade operacional da avenida, por onde circulam diariamente mais de 40 linhas de ônibus e aproximadamente 21 mil veículos.

Blocos da Stock Car também serão alvo de esclarecimentos

O segundo pedido de informação, apresentado pela vereadora Marcela Trópia (Novo), trata dos cerca de 1.800 blocos de concreto instalados no entorno do Mineirão para a montagem do circuito da Stock Car. A parlamentar destaca que, mesmo após o cancelamento da etapa prevista para 2025 e sem confirmação de uma corrida em 2026, as estruturas continuam ocupando espaços públicos na região.

O requerimento solicita explicações sobre a justificativa para a permanência dos blocos, eventual previsão de retirada, custos de instalação e remoção, além da destinação futura do material. A vereadora também questiona se existe avaliação técnica sobre os impactos das estruturas na circulação de veículos, pedestres e ciclistas e se os blocos poderão ser reaproveitados em outras obras ou eventos.

Segundo Trópia, a permanência das estruturas tem gerado dúvidas entre moradores e frequentadores da região, especialmente em relação à mobilidade urbana, à segurança viária e à ocupação do espaço público. 

A Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada pela reportagem para informar se já recebeu oficialmente os pedidos de informação aprovados pela Câmara Municipal e se pretende se posicionar sobre os questionamentos envolvendo a retirada da ciclovia da Avenida Afonso Pena e a permanência dos blocos de concreto instalados no entorno do Mineirão.

Até a publicação desta matéria, não houve retorno.

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