
“Aprendi desde criança a fazer caridade". É com essa frase que o empresário Afonso Teixeira define a motivação por trás de uma das tradições mais emblemáticas da Sexta-feira Santa em Belo Horizonte. Há 40 anos atuando no mercado de pescados e há 35 realizando a distribuição gratuita de peixes - com 33 edições consecutivas, descontando o hiato da pandemia - Teixeira lidera hoje uma operação logística que transforma a Praça do Peixe, no bairro Bonfim, em um ponto de solidariedade.
Nesta sexta-feira (3), uma multidão ocupou as calçadas, com uma fila que se estendia por cinco quarteirões até atingir a Avenida Pedro II. Para o empresário, o movimento, que começou de forma tímida com apenas 30 pessoas no primeiro ano, é o resultado de uma promessa feita a quem não podia pagar pelo alimento.
“Na quinta-feira santa, eu via muita gente pedindo, percebia que não tinham condição de comprar. Então eu disse: 'vem amanhã que eu dou para você'. Assim começou", recorda.
Neste ano, cada pessoa recebe entre 2,8 kg e 3 kg de peixe, quantidade que, segundo ele, garante o prato de uma família numerosa. O empresário estima que de 2 a 3 mil pessoas recebam a doação.
Apesar da estimativa, o empresário recusa-se a revelar o investimento financeiro ou a tonelagem total de peixes distribuídos.
”Se eu falar a quantidade, você vai multiplicar pelo preço que custa e vai ver quanto é de dinheiro. Isso não serve. Nosso Senhor prefere omitir essa informação para eu não perder o meu objetivo. Doação para valer a gente aprende que não se pode fazer propaganda", destaca.