Casa do Carnaval terá espaço gratuito para ensaios de blocos e cursos no Centro de BH
Projeto prevê até 30 blocos ensaiando por mês, além de atividades de capacitação e economia criativa

Os blocos do Carnaval de Belo Horizonte terão, a partir de outubro, um espaço gratuito de 2 mil m² para realizar ensaios e outras atividades durante a preparação para a folia. A Casa do Carnaval será inaugurada em 8 de outubro, no terceiro andar do Shopping Uai, no Centro da capital, com palco, estrutura de som e iluminação, sala para dança e cursos e uma área destinada aos ensaios das baterias.
O projeto tem investimento de R$ 400 mil e nasce, inicialmente, como uma experiência piloto prevista até o fim de janeiro de 2027. O recurso, obtido por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Cemig, contempla funcionários, produtores, comunicação, palco, som, iluminação e a estrutura necessária para as atividades.
De acordo com a produtora cultural Polly Paixão - idealizadora do projeto -, a proposta ganhou força nos últimos quatro anos, acompanhando a expansão da festa e, consequentemente, o aumento da demanda por locais de ensaio. “Este lançamento aqui é a realização de um sonho”, afirmou Polly.
A proposta também é que o endereço não funcione apenas como local para as baterias ensaiarem. Um projeto complementar prevê 15 cursos distribuídos em cinco eixos, voltados à capacitação de quem trabalha com a festa.
Entre as possibilidades apresentadas estão oficinas para confecção e customização de abadás e estandartes, orientações sobre uso de redes sociais, elaboração de portfólios, comercialização de shows e acesso à Lei de Incentivo à Cultura.
Falta de espaço é desafio para os blocos
Criador e coordenador do bloco Baianas Ozadas, Geo Ozado destacou que conseguir um espaço adequado para os ensaios é um dos principais desafios enfrentados pelos grupos no pré-Carnaval. Segundo ele, algumas baterias reúnem dezenas de integrantes e podem superar 100 percussionistas, o que exige estrutura para receber simultaneamente bateria, músicos, cantores e instrumentalistas.
Para Geo, a questão ultrapassa a democratização do acesso. “É dar condição do Carnaval acontecer”, afirmou. Ele ressaltou que o desfile visto nas ruas é resultado de uma preparação que se desenvolve durante todo o ano, e que o ensaio funciona como um primeiro encontro entre pessoas, música, arte e cultura antes de tudo chegar às avenidas.
Luci de Nanã, vice-presidente da Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro) e coordenadora do Bloco Oficina Tambolelê, também destacou a formação oferecida pela Casa. Segundo ela, a estrutura do Carnaval mudou ao longo dos anos e exige que os grupos acompanhem essa transformação por meio de capacitação e organização coletiva.
Como os blocos poderão ensaiar?
A utilização da Casa do Carnaval será totalmente gratuita, inclusive para ensaios, atividades de networking e outras ações previstas no projeto. As regras de inscrição devem ser divulgadas ainda nesta semana pelas redes sociais da iniciativa.
De acordo com Polly, a organização pretende considerar a ordem de inscrição e o tamanho de cada bloco para distribuir os grupos pelos espaços disponíveis. Caso haja grande procura, cada bloco poderá ensaiar até duas vezes por mês.
Carnaval movimentou R$ 1,4 bilhão em BH
A Casa surge após o Carnaval de Belo Horizonte alcançar números recordes. Conforme o balanço oficial citado no projeto, a edição de 2026 reuniu 6,6 milhões de foliões, teve 457 desfiles de blocos ao longo de 23 dias e movimentou R$ 1,4 bilhão na capital, além de gerar cerca de 25 mil empregos.
Apesar do tamanho alcançado pela festa, representantes dos blocos afirmam que ainda existem dificuldades estruturais durante os meses de preparação. A expectativa é que o novo endereço ajude justamente nessa etapa que antecede a ocupação das ruas.
A subsecretária de Cultura de Minas Gerais, Maristela Rangel, afirmou que a proposta une formação e economia criativa dentro da cadeia produtiva do Carnaval. Segundo ela, a Lei Estadual de Incentivo à Cultura disponibilizou R$ 192 milhões para projetos de arte e cultura em Minas neste ano, enquanto o Fundo Estadual de Cultura conta com outros R$ 32 milhões destinados também a editais que podem contemplar o Carnaval.
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