
Um dos suspeitos de espancar a mulher trans Alice Martins, que morreu dias depois, foi preso na tarde desta sexta-feira (19), em Belo Horizonte. A prisão preventiva do garçom, de 27 anos, foi decretada pela Justiça mineira.
De acordo com a Polícia Militar, equipes do 16º Batalhão localizaram o homem na casa da avó, no bairro Penha, região Nordeste da cidade. Segundo o tenente Damaceno, os militares chegaram ao endereço após receberem informações sobre a localização do investigado.
“As guarnições táticas móveis do 16º Batalhão tiveram informações privilegiadas sobre a localização desse suspeito do homicídio da mulher trans e deslocaram até o bairro Penha, onde ele estaria na residência da avó", afirmou o militar.
Segundo o oficial, as guarnições foram recebidas pela avó, que a princípio negou a presença do neto. "Mas os militares foram insistentes, permaneceram no local e conseguiram visualizar o autor”, disse o tenente. Ainda segundo o policial, o suspeito não reagiu à prisão.
A defesa do investigado afirma que a prisão foi irregular e motivada por "pressão midiática". Em entrevista à imprensa, advogadas disseram não há fatos novos que justificassem a decretação da preventiva, já que pedidos anteriores foram negados.
Ainda segundo a defesa, o investigado tem domicílio fixo e não estaria tentando "se furtar à Justiça". A advogada relatou que ele aguardava orientações para se apresentar espontaneamente à polícia. A defesa sustenta que o investigado é inocente.
Relembre o caso
Nesta sexta-feira (19), a Justiça de Minas Gerais decretou a prisão preventiva do garçom suspeito de espancar a mulher trans Alice Martins, que morreu dias depois das agressões. A decisão foi tomada pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte.
Segundo a magistrada, as agressões teriam resultado em politraumatismo, fraturas de arcos costais e perfuração intestinal, evoluindo para um quadro de sepse generalizada que culminou na morte da vítima.
Outro garçom, de 20 anos, também indiciado no processo, segue em liberdade. A magistrada entendeu que, até o momento, não há indícios seguros de que ele tenha atacado a vítima, embora tenha sido apontado como alguém que teria zombado de Alice e instigado as agressões.
As investigações da Polícia Civil apontam que uma suposta dívida de R$ 22 teria sido apenas o estopim do ataque. Segundo a corporação, a motivação do crime foi transfobia. Alice foi perseguida por cerca de 200 metros, cercada e agredida de forma contínua, sem que houvesse tentativa de roubo.
Alice morreu em 9 de novembro, após dias de internação. O caso é investigado como feminicídio, e a Polícia Civil também solicitou ao Ministério Público a apuração de possível negligência médica no atendimento prestado à vítima.
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