Morto na tragédia

Caso Brumadinho: ‘um dia antes, meu marido chegou da Vale muito triste’, diz presidente da Avabrum

Além da presidente da associação, também foram colhidos os depoimentos de Juliana Cardoso Gomes Silva e Josiana de Souza Resende

Leandro Alves
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 27/02/2026 às 16:37.Atualizado em 27/02/2026 às 17:21.
Nayara Porto foi uma das três depoentes no segundo dia de audiências de instrução e julgamento do caso Brumadinho na Justiça Federal (Maurício Vieira / Hoje em Dia)
Nayara Porto foi uma das três depoentes no segundo dia de audiências de instrução e julgamento do caso Brumadinho na Justiça Federal (Maurício Vieira / Hoje em Dia)

A presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho (Avabrum), Nayara Porto, prestou depoimento nesta sexta-feira (27) no segundo dia de audiências de instrução e julgamento do caso Brumadinho na Justiça Federal. Nayara é viúva de Everton Lopes Ferreira - operador de empilhadeira, de 32 anos -, morto na tragédia da barragem de Córrego do Feijão.

De acordo com a representante da Avabrum, Everton Lopes sempre foi “muito sorridente”. Ele, porém, estava diferente no dia anterior à tragédia: “Ele chegou da Vale muito triste. Eu até perguntei o que estava acontecendo, mas ele não quis falar. Ele disse que estava normal, que não tinha nada a ver. Eu falei, ‘não tá, alguma coisa aconteceu’. Mas ele era muito discreto, entendeu?”, relatou Nayara.

Além da presidente da associação, também foram colhidos os depoimentos de Juliana Cardoso Gomes Silva (nora da vítima Levi Gonçalves da Silva) e Josiana de Souza Resende (irmã de Juliana Creizinar de Resende).

Ao todo, estão previstas 76 sessões. O caso envolve 17 réus e mais de 180 testemunhas, em um esforço para reconstruir os fatos que levaram à morte de 272 pessoas e ao colapso ambiental da bacia do rio Paraopeba. A previsão é que o processo seja encerrado até maio de 2027.

O que dizem as empresas?

Entre os acusados estão as empresas Vale S.A. e TÜV SÜD, além de 15 ex-executivos e funcionários vinculados às companhias, que respondem por crimes ambientais e homicídios. Por meio de nota, a TÜV SÜD prestou solidariedade às vítimas e famílias e disse estar “convencida” de que a empresa não possui responsabilidade legal “pelo acidente”. Segundo eles, “a causa técnica do acidente permanece incerta”. Ainda informaram que, conforme avaliação própria, a emissão das declarações de estabilidade pela TÜV SÜD Bureau cumpriu as leis e regulamentos.

Já a Vale, também em nota, reafirmou o respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reiterou o compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa informou não comentar ações judiciais em andamento.

*Estagiário, sob supervisão de Renato Fonseca

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