
Elemento mais frágil e vulnerável do trânsito, o pedestre tem prioridade de passagem. Porém, em Belo Horizonte, mesmo nos locais sem a presença de carros, como calçadas, a segurança de quem está a pé pode estar em risco com a volta das patinetes elétricas. É o que apontam especialistas ao avaliarem a circulação dos equipamentos, prevista para retornar ainda este mês.
Na capital, a velocidade máxima permitida às patinetes será de 6 km/h nas calçadas, praças e parques. Para o professor dos cursos de Trânsito e de Engenharia de Transportes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas (Cefet-MG), Agmar Bento, o limite estabelecido coloca todos em risco. “Seis quilômetros por hora é quase o dobro da marcha de uma caminhada. É um perigo tanto para o usuário quanto para a pessoa que está no entorno”, afirma.
Também especialista em trânsito, Silvestre de Andrade acrescenta que as calçadas devem ser só dos pedestres. "Qualquer outro tipo de veículo, até mesmo uma bicicleta, gera uma certa incompatibilidade, ainda mais em BH, nós não temos calçadas generosas”, afirmou o consultor na área de transportes. Outro ponto alertado, diz ele, são "desvios inesperados" por quem está operando o equipamento, aumentando o perigo para quem está a pé.
Controle será frequente e locais de circulação poderão ser revistos
Em BH, testes em patinetes elétricas foram realizadas em diferentes regiões da cidade em julho e agosto de 2025. A ação analisou, na prática, as condições de operação e segurança para a circulação em vias públicas. Além disso, diz a prefeitura, os novos equipamentos são mais modernos, seguros e estáveis.
Segundo o superintendente de Mobilidade Urbana da prefeitura de BH, Rafael Murta, ao entrar nas calçadas, a patinete terá a velocidade reduzida automaticamente. “O controle é feito pelo georreferenciamento. Então, o próprio equipamento consegue fazer essa leitura”, explicou Murta. Além disso, ele afirmou que a circulação nas áreas permitidas será avaliada com frequência, com possibilidade de replanejamento. "Se a gente perceber que há uma necessidade de alteração, a gente vai fazer isso".
Entenda
Alvo de polêmica após o registro de acidente graves, as patinetes elétricas vão voltar às ruas de Belo Horizonte. A empresa JET Patinetes Elétricos foi escolhida para retomar a operação dos equipamentos na capital. Após a assinatura do termo de credenciamento, a empresa terá até 10 dias úteis para iniciar a operação. A implantação, manutenção e gestão do serviço serão de responsabilidade da operadora, sem custos para o município. Segundo a prefeitura, a JET irá disponibilizar o sistema sem estação e com acionamento por aplicativo.
A JET apresentou proposta para atuar na Área Central e na região Oeste. Serão disponibilizados 1,5 mil patinetes elétricas compartilhadas, sendo 1,1 mil no Centro e 400 na outra regional. O edital prevê operação em 10 lotes da cidade e estabeleceu que empresas interessadas nas áreas tradicionalmente mais procuradas, como a Central e as regionais Centro-Sul e Pampulha, também assumissem outros lotes.
As patinetes poderão circular em áreas de pedestres, desde que respeitados os limites de velocidade; além de ciclovias e ciclofaixas, considerados os locais mais seguros para circulação; e vias com velocidade regulamentada de até 40 km/h. Entre as diretrizes para a operação estão:
- Equipamentos obrigatórios, como indicador de velocidade, campainha e sinalização noturna;
- Velocidade máxima de 6 km/h em calçadas, praças e parques;
- Até 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas;
- Idade mínima de 18 anos para cadastro;
- Uso individual do equipamento;
- Proibição de transporte de passageiros e animais;
- Estímulo ao uso de capacete;
- Limitador de 12 km/h para usuários iniciantes.
Segundo a prefeitura, o termo de credenciamento estabelece que a empresa deverá oferecer seguro contra acidentes, promover campanhas educativas sobre direção segura e regras de trânsito, manter equipe de instrutores e compartilhar diariamente os dados de utilização dos equipamentos.
*Estagiário, sob a supervisão de Renato Fonseca
Leia mais: