O Carnaval de rua de Belo Horizonte, hoje referência nacional, é também vitrine para uma geração de artistas que encontrou na folia um palco poderoso para se firmar como importantes nomes no cenário musical. Em meio a centenas de blocos, várias vozes se tornaram símbolo dessa cena, ajudando a consolidar uma identidade musical própria para a festa na capital mineira.
Pri Glenda, Cléo Ventura, Violeta Lara, Leopoldina, Rafa Ventura, Amandona, Canela, Amanda Coimbra e Di Souza são apenas alguns que iremos mostrar a seguir. Eles e muitos outros levam para as ruas histórias, repertórios e perspectivas.
À frente do Abalô-Caxi, Rafa Ventura é um dos nomes na consolidação da cena carnavalesca de BH. Multiartista e agitador cultural, ele começou a acompanhar a retomada dos blocos ainda em 2010, nos encontros da Praia da Estação, e desde então se tornou figura presente em palcos e cortejos da cidade. Co-fundador da Corte Devassa e vocalista do Abalô-Caxi desde 2020, Rafa transformou o bloco em um lugar de afirmação artística e identidade LGBTQIAPN+.
Parceira de Rafa no Abalô-Caxi, a cantora e compositora Cléo Ventura é dona de uma trajetória de mais de duas décadas na música e se tornou uma das presenças marcantes da folia belo-horizontina. Ela encontrou no Carnaval um lugar de protagonismo e visibilidade, especialmente como voz negra feminina. Além do Abalô-Caxi, Cléo circula por outros cortejos importantes, como Salada de Frutas e Então Brilha.
Outra referência da cena do Carnaval de BH, Violeta Lara integra o Juventude Bronzeada desde 2014 e ajudou a construir a identidade do bloco como um dos grandes símbolos da folia na cidade. Nos últimos anos, o cortejo passou a contar com um naipe vocal inteiramente feminino, do qual Violeta é parte fundamental. Além do Juventude Bronzeada, ela também leva sua voz para blocos como Cilada e Judia de Mim.
Em meio à bateria, cordas e coros de Carnaval
Leopoldina, com mais de 23 anos de caminhada, cresceu em meio à bateria, cordas e coros de Carnaval. Cantora e compositora do Juventude Bronzeada desde 2008, ela viu de perto o crescimento da festa de rua em BH e ajudou a dar a ela um sotaque próprio. Com três discos lançados e uma gravação com a Orquestra Ouro Preto, seu trabalho transita entre a canção mineira, o samba, a MPB e o universo dos blocos.
Outro nome de destaque no Carnaval da capital mineira é Amandona, cantora e compositora com carreira solo de mais de 15 anos. Em 2016 conheceu e se apaixonou pelo Carnaval de BH, e se tornou vocalista do bloco Abalô-Caxi, e agora participa do cortejo de outros blocos como Truck do Desejo. Em 2026, Amandona desfila pela segunda vez com seu próprio bloco no pré-Carnaval, e traz o tema “Sapatão Sem Fronteiras” que celebra o amor entre mulheres e a diversidade.
Pri Glenda é um exemplo de artista que viu a carreira ganhar outra dimensão a partir do Carnaval de Belo Horizonte. Na música desde 2009, e integrante do Juventude Bronzeada desde 2014, ela encontrou no bloco um espaço fértil para mostrar suas composições a um público amplo, que se reconhece em suas letras e arranjos. A visibilidade na folia impulsionou novos desdobramentos, como a criação do Bloco da Pri, que leva seu nome, e sua atuação no bloco É o Amô.
Canela, cantora, compositora e atriz, é uma das vozes que renovam o Carnaval de BH à frente do Tchanzinho Zona Norte. Com uma relação de vida inteira com a música, deixou o Direito após um infarto pulmonar, em 2020, para se dedicar à arte, lançando sua primeira música em 2021, e em 2024 o EP autoral “Termogênica”, que mistura referências brasileiras e latinas.
À frente do bloco Lavô, Tá Novo!, Amanda Coimbra além de cantar articula criação artística, pesquisa vocal e produção cultural. Cantora profissional desde 2009, atriz e preparadora vocal, ela desenvolve um trabalho consistente de investigação da voz. Fundadora, vocalista e compositora do Lavô, Tá Novo! desde 2017, Amanda também assina a direção de espetáculo e musicais. Mantém parcerias autorais com Di Souza, em música interpretada por ele e por Maurício Tizumba, e atua como backing vocal em projetos de Rafael Ventura.
Maestro, cantor, compositor, diretor artístico e professor de percussão
Outro que tem grande destaque no Carnaval de BH é o maestro, cantor, compositor, diretor artístico e professor de percussão Di Souza. Ele é um dos responsáveis pela retomada do Carnaval de Belo Horizonte desde o momento em que surgiram os primeiros blocos. Envolvido na fundação de grupos como “Então, Brilha!”, “É o Amô” e “Circula-dô”, ele foi o músico que criou diversas técnicas de regência que hoje são referência para outras agremiações carnavalescas da cidade
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