
A morte de uma empresária, de 42 anos - baleada 12 vezes em uma praça do bairro Cidade Nova, região Nordeste de BH -, foi planejada pelo companheiro, de 49. É o que garantiu a Polícia Civil (PC) nesta quinta-feira (25), após finalizar o inquérito. O homem cometeu suicídio após o feminicídio, ocorrido em 17 de maio.
De acordo com a PC, vizinhos do casal relataram que o relacionamento - de 16 anos - era abusivo, com diversas brigas. As investigações também identificaram relatos de familiares sobre comportamento controlador e ciúmes excessivos por parte do investigado. Segundo a polícia, a mulher, que trabalhava com jóias e semi-jóias, expressava o desejo de separação.
Conforme a Polícia Civil, no dia do crime, a vítima estava praticando exercícios físicos, quando foi surpreendida pelo marido. Ao vê-lo armado, ela teria adotado posição de rendição, levantando os braços, mas mesmo assim o homem teria atirado. Testemunhas relataram à PC que o suspeito trocou o carregador e continuou efetuando os disparos.
De acordo com os policiais, o investigado ainda deixou um bilhete no local, indicando que havia estacionado o carro na rua João Gilberto Filho, a 400 metros da praça. Ele então teria se deslocado a pé até o lugar, onde cometeu o suicídio.
“Existem homens que vivem de discurso, existem homens que vivem de decisões. Eu pertenço ao segundo grupo ", escreveu o investigado, na carta deixada no local do crime. Nas mensagens, o suspeito também orienta a separação de bens entre as duas filhas do casal.
Atirador Desportivo e armas apreendidas
Segundo a PC, o homem era Atirador Desportivo (CAC) desde 2018. Com ele, os investigadores encontraram uma pistola Taurus 38, arma que o homem teria utilizado durante o crime. Já no porta-malas do carro, a Polícia Civil encontrou uma pistola Glock calibre 380.
“Como eu falei, o crime foi premeditado. Há relatos de que ele até andava armado, ou seja, descumpria inclusive, porque o registro das armas é a posse e ele tem autorização para usar no estande de tiro, não andar com ela”, relatou a delegada Ariadne Elloise Coelho, responsável pelo caso.
*Estagiário, sob a supervisão Renato Fonseca