
O corpo da mulher de 36 anos, encontrada morta dentro do próprio apartamento no bairro Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte, foi sepultado na manhã desta quinta-feira (23), no Cemitério Bosque da Esperança. A cerimônia teve início às 9h e não contou com velório por conta do avançado estado de decomposição do corpo.
A vítima foi localizada na última segunda-feira (20), após vizinhos estranharem a ausência de movimentação no imóvel e o forte odor vindo do local. Moradores conseguiram visualizar a cena por uma das janelas e acionaram a Polícia Militar. O imóvel estava revirado e o corpo foi encontrado enrolado em cobertores, com estimativa da perícia de que a morte teria ocorrido cerca de quatro dias antes do achado.
As investigações apontam que a vítima e o suspeito haviam se conhecido recentemente por meio de um aplicativo e residiam juntos há menos de um mês. Para a polícia, o suspeito do crime contou que, após uma discussão em que foi solicitado que ele deixasse o apartamento, a vítima foi estrangulada até a morte.
O autor do crime se apresentou no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na terça-feira (21), onde confessou a autoria e acabou preso. Registros de câmeras de segurança mostram o suspeito deixando o condomínio carregando malas e uma mochila na segunda-feira. Ele também acompanhou a polícia em diligências para indicar onde havia vendido pertences retirados do imóvel. A audiência de custódia deve ocorrer nesta quinta.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil como feminicídio.
Entenda o crime
A vítima estava sem dar notícias presencialmente desde quarta-feira (15). Ao longo dos dias em que esteve desaparecida, amigos e familiares continuaram recebendo mensagens enviadas pelo aparelho celular dela, o que acabou gerando estranhamento entre as pessoas mais próximas.
O alerta definitivo sobre a situação ocorreu quando uma vizinha notou alterações no padrão de escrita dos textos recebidos. A moradora do condomínio percebeu a troca de termos usuais da amiga e exigiu o envio de um áudio para comprovar a identidade de quem estava com o aparelho, avisando que acionaria as autoridades caso não fosse atendida. Após a cobrança da gravação de voz, as interações foram interrompidas.
Pouco tempo depois da cobrança pelo áudio, um homem foi visto saindo do imóvel carregando duas malas e uma mochila. Diante do silêncio e do forte odor vindo do interior do apartamento, vizinhos decidiram forçar uma das janelas do imóvel e avistaram a moradora coberta sobre a cama. A Polícia Militar foi acionada e confirmou o óbito assim que chegou ao local.
A vítima era funcionária de um supermercado da região e estava afastada de suas funções por licença médica há cerca de dez dias, motivo pelo qual a falta de comparecimento ao trabalho não levantou suspeitas imediatas por parte dos colegas.