Processo administrativo

Delegada casada com acusado de matar gari tem licença médica renovada por mais 60 dias em Minas

Afastada desde agosto de 2025, Ana Paula Lamego Balbino ficará fora das funções por pelo menos mais dois meses

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 11/06/2026 às 08:21.Atualizado em 11/06/2026 às 08:28.
 (Redes Sociais/Reprodução)
(Redes Sociais/Reprodução)

A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Ana Paula Lamego Balbino, teve a licença médica prorrogada por mais 60 dias. A renovação foi publicada nesta quinta-feira (11) no Diário Oficial do Estado (DOE). A servidora é casada com Renê da Silva Nogueira Júnior, que responde na Justiça pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, ocorrido em agosto de 2025.

Com a nova prorrogação, a servidora permanecerá fora das atividades até completar cerca de um ano afastada da corporação. O primeiro atestado médico foi apresentado em 13 de agosto do ano passado, dois dias após o homicídio. De acordo com as investigações, Renê teria utilizado uma arma registrada em nome da delegada no crime.

Segundo informações da Polícia Civil, o afastamento anterior era válido até a última segunda-feira (8). O novo período de licença começou na terça-feira (9) e seguirá pelos próximos 60 dias. A servidora ainda responde a um processo administrativo disciplinar na corporação e já foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo e também por prevaricação

Apesar do afastamento, a delegada continua recebendo remuneração. Segundo o último dado disponível no Portal da Transparência, ela recebeu mais de R$ 28,4 mil em abril, sendo cerca de R$ 23,4 mil de salário e R$ 5.015 em valores eventuais.

A reportagem do Hoje em Dia tenta contato com a defesa da delegada e o espaço segue aberto para manifestações.

Relembre o caso

Laudemir foi assassinado em serviço pelo empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter efetuado o tiro. A arma era da esposa, a delegada Ana Paula Lamêgo Balbino. O caso ocorreu no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte. 

Renê foi indiciado por três crimes: homicídio duplamente qualificado, ameaça contra a motorista do caminhão de coleta de lixo e porte ilegal de arma de fogo. A pena pode chegar a 35 anos de prisão. 

Após o crime, o empresário “seguiu a rotina” e continuou o dia como se nada tivesse acontecido. Renê foi visto no trabalho e também passeando com dois cachorros. Depois, ainda foi para a academia, onde foi preso. 

Ao ser levado para a delegacia, Renê mandou mensagens para a esposa pedindo para que ela entregasse uma arma diferente da que foi utilizada no crime. "Entrega a nove milímetros. Não pega a outra. A nove milímetros não tem nada", escreveu, referindo-se à outra arma da delegada. Segundo o inquérito, Ana Paula não respondeu nem atendeu ao pedido do marido.

Antes de ser preso, o empresário ainda mandou outra mensagem para a esposa: "Estava no lugar errado na hora errada. Amor, eu não fiz nada". 

A polícia confirmou que a arma utilizada era da esposa do empresário. Ela foi indiciada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, ao ceder o armamento ao marido. 

Conforme previsto na Lei do Desarmamento, o crime prevê pena de 2 a 4 anos de prisão. Porém, por ela ser servidora pública, poderá ter a pena aumentada por mais dois anos.

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