caso Laudemir de Souza

Delegada esposa de Renê da Silva, réu por matar gari em BH, pode perder cargo

A medida foi publicada nesta quinta-feira (23) no Diário Oficial de Minas Gerais

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 23/04/2026 às 09:51.Atualizado em 23/04/2026 às 19:10.
Polícia Civil abriu Processo Administrativo Disciplinar contra delegada esposa de réu por matar gari em BH (Reprodução / Redes Sociais)
Polícia Civil abriu Processo Administrativo Disciplinar contra delegada esposa de réu por matar gari em BH (Reprodução / Redes Sociais)

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, que se tornou réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes. A medida foi publicada nesta quinta-feira (23) no Diário Oficial de Minas Gerais e pode resultar na demissão da servidora.

Segundo o documento, Ana está afastada do cargo desde agosto do ano passado, por questões médicas. A delegada é investigada por praticar transgressões disciplinares consideradas graves. O processo teve como base os artigos 166 e 168 da Lei Orgânica da Polícia Civil e será apurado por três delegados. O prazo para conclusão do PAD é de 60 dias.

Ana Paula Balbino Nogueira, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior — que confessou ter matado o gari Laudemir Fernandes —, foi indiciada pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por prevaricação em agosto de 2025. O crime, previsto no Código Penal, ocorre quando um funcionário público deixa de praticar ou retarda um ato de ofício para satisfazer um interesse pessoal.

Fascínio do marido por distintivos e armas

A delegada já havia sido indiciada por porte ilegal de arma de fogo no inquérito que apura a morte de Laudemir. A investigação da Polícia Civil concluiu que ela sabia que o marido utilizava a arma. "A esposa tinha ciência que ele fazia o uso da arma de fogo com constância”, afirmou o delegado Evandro Radaelli.

As investigações ainda revelaram um “fascínio” de Renê Júnior por armas e distintivos. A polícia encontrou fotos do empresário ostentando equipamentos de trabalho da esposa em mensagens de celular. O delegado Radaelli revelou que Renê "exibia o distintivo da esposa em mensagens", o que demonstrava seu interesse pela função dela.

A arma usada no crime pertencia à delegada. Por ter cedido o armamento ao marido, Ana Paula Balbino foi indiciada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, que prevê pena de dois a quatro anos de prisão. Por ser servidora pública, a pena pode ser aumentada em até dois anos.

Morte de Laudemir

O gari Laudemir Fernandes, de 44 anos, foi assassinado a tiros no bairro Vista Alegre, na região Oeste de BH, enquanto trabalhava. A Polícia Militar informou que o empresário Renê teria disparado contra o profissional de limpeza, que não resistiu aos ferimentos. O empresário foi identificado por câmeras de segurança e preso pouco tempo depois em uma academia na Avenida Raja Gabaglia, na mesma região.

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