
A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, que se tornou réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes. A medida foi publicada nesta quinta-feira (23) no Diário Oficial de Minas Gerais e pode resultar na demissão da servidora.
Segundo o documento, Ana está afastada do cargo desde agosto do ano passado, por questões médicas. A delegada é investigada por praticar transgressões disciplinares consideradas graves. O processo teve como base os artigos 166 e 168 da Lei Orgânica da Polícia Civil e será apurado por três delegados. O prazo para conclusão do PAD é de 60 dias.
Ana Paula Balbino Nogueira, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior — que confessou ter matado o gari Laudemir Fernandes —, foi indiciada pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por prevaricação em agosto de 2025. O crime, previsto no Código Penal, ocorre quando um funcionário público deixa de praticar ou retarda um ato de ofício para satisfazer um interesse pessoal.
Fascínio do marido por distintivos e armas
A delegada já havia sido indiciada por porte ilegal de arma de fogo no inquérito que apura a morte de Laudemir. A investigação da Polícia Civil concluiu que ela sabia que o marido utilizava a arma. "A esposa tinha ciência que ele fazia o uso da arma de fogo com constância”, afirmou o delegado Evandro Radaelli.
As investigações ainda revelaram um “fascínio” de Renê Júnior por armas e distintivos. A polícia encontrou fotos do empresário ostentando equipamentos de trabalho da esposa em mensagens de celular. O delegado Radaelli revelou que Renê "exibia o distintivo da esposa em mensagens", o que demonstrava seu interesse pela função dela.
A arma usada no crime pertencia à delegada. Por ter cedido o armamento ao marido, Ana Paula Balbino foi indiciada pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, que prevê pena de dois a quatro anos de prisão. Por ser servidora pública, a pena pode ser aumentada em até dois anos.
Morte de Laudemir
O gari Laudemir Fernandes, de 44 anos, foi assassinado a tiros no bairro Vista Alegre, na região Oeste de BH, enquanto trabalhava. A Polícia Militar informou que o empresário Renê teria disparado contra o profissional de limpeza, que não resistiu aos ferimentos. O empresário foi identificado por câmeras de segurança e preso pouco tempo depois em uma academia na Avenida Raja Gabaglia, na mesma região.
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