
Nem mesmo o Dia das Crianças, celebrado nesta segunda-feira (12), foi suficiente para impulsionar a produção da indústria de transformação do plástico em Minas Gerais. Com a demanda enfraquecida e os custos elevados, empresas do setor têm adotado cautela na fabricação de produtos, incluindo brinquedos, e apostado em tecnologias como a impressão 3D para reduzir desperdícios e aumentar a competitividade.
Segundo a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), a preparação para a data começa meses antes, mas a desaceleração econômica tem limitado o impacto das vendas sazonais sobre a produção. Com isso, as empresas priorizam o controle de custos,ajustam os estoques e a compra de matérias-primas de acordo com os pedidos recebidos.
“O mercado está desaquecido e a demanda sazonal não tem sido suficiente para impulsionar a produção. As empresas trabalham com cautela, ajustando estoques e compras de matérias-primas aos pedidos confirmados”, explicou Ivana Serpa, presidente do Sindicato da Indústria do Material Plástico do Estado de Minas Gerais (Simplast).
Além do consumo enfraquecido, o setor enfrenta a concorrência de produtos importados e os custos elevados de produção. Para Ivana, uma recuperação mais consistente depende de melhores condições de financiamento e de maior estabilidade econômica.
“O desafio é conciliar custos elevados, concorrência com importados e consumo enfraquecido. Uma recuperação mais consistente depende de crédito acessível, fortalecimento da indústria nacional e maior previsibilidade econômica”, acrescentou.
Impressão 3D ganha espaço no desenvolvimento de brinquedos
Enquanto a demanda segue enfraquecida, a indústria busca alternativas tecnológicas para tornar a fabricação de brinquedos mais eficiente. No Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) do Senai Minas, ferramentas de modelagem e impressão 3D permitem criar protótipos e testar produtos antes do início da fabricação em larga escala.
Na prática, a tecnologia possibilita que fabricantes avaliem formatos, materiais, resistência e funcionamento das peças antes de investir na produção. Dessa forma, eventuais problemas podem ser identificados e corrigidos ainda na fase de desenvolvimento, reduzindo custos e desperdícios.
Segundo o técnico industrial do Senai Minas Raphael Rodrigues, a impressão 3D também permite desenvolver brinquedos personalizados, considerando características como segurança e adequação à faixa etária das crianças. “A impressão 3D permite transformar uma ideia em protótipo, avaliar o funcionamento e realizar ajustes antes da produção em escala. Isso reduz desperdícios, otimiza custos e amplia as possibilidades de personalização”, afirmou.
A combinação da impressão 3D com processos automatizados também permite fabricar peças sob demanda, sem a necessidade de manter grandes quantidades de produtos em estoque. “Combinada à automação, a tecnologia também favorece processos mais precisos e a fabricação de peças sob demanda, contribuindo para a competitividade da indústria”, completou Rodrigues.
Para o setor, a adoção dessas ferramentas representa uma alternativa para enfrentar o cenário de custos elevados e consumo enfraquecido, embora a recuperação da demanda continue sendo um desafio para os fabricantes mineiros.
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