SABOR QUE MOVIMENTA

Dia do Pão de Queijo: Minas concentra cerca de 2/3 da produção brasileira

Símbolo da culinária mineira conecta uma cadeia que vai do leite e do polvilho às indústrias e padarias; Brasil produz cerca de 892 mil toneladas por ano

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 17/08/2026 às 08:03.Atualizado em 17/08/2026 às 08:27.
Celebrado em 17 de agosto, pão de queijo movimenta uma cadeia que começa no campo e chega às indústrias e padarias de Minas (Divulgação)
Celebrado em 17 de agosto, pão de queijo movimenta uma cadeia que começa no campo e chega às indústrias e padarias de Minas (Divulgação)

Celebrado nesta segunda-feira (17), o Dia Nacional do Pão de Queijo coloca em evidência um produto que, além de símbolo da culinária mineira, movimenta uma extensa cadeia econômica. Minas Gerais concentra cerca de dois terços da produção brasileira da iguaria, que envolve desde produtores de leite e matérias-primas até indústrias de alimentos, laticínios e milhares de padarias.

Como referência da dimensão desse mercado, a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) estima que o Brasil produza 892,5 mil toneladas de pão de queijo por ano. O protagonismo mineiro é sustentado também pela força do Estado na produção de alguns dos principais ingredientes da receita.

Em 2025, Minas registrou produção estimada de 9,78 bilhões de litros de leite. Segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (Silemg), 48,5% do leite inspecionado no Estado é destinado à fabricação de queijos.

A estrutura reúne 775 estabelecimentos de laticínios e cerca de 134 mil produtores que destinam leite ao processamento industrial. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também apontam a liderança mineira: no ano passado, o Estado respondeu por 23,9% de todo o leite cru adquirido por estabelecimentos sob inspeção no país.

“A ampla estrutura da indústria de laticínios contribui para garantir oferta, qualidade e regularidade dos insumos utilizados na produção do pão de queijo, fortalecendo um produto diretamente ligado à identidade, à gastronomia e ao patrimônio cultural e econômico de Minas Gerais”, afirma o presidente do Silemg, Guilherme Abrantes.

Do campo ao forno

A importância econômica do pão de queijo não termina no leite. Queijo, polvilho e mandioca conectam o produto a diferentes atividades agropecuárias e industriais, ampliando os efeitos da produção sobre a economia mineira.

Segundo o presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Fiemg, Vinícius Dantas, a fabricação ajuda a impulsionar a demanda por queijo e, consequentemente, a cadeia de laticínios. “O consumo do queijo é impulsionado pela fabricação do pão de queijo. Isso é muito importante para a indústria de laticínios. O pão de queijo impulsiona bastante a cultura mineira: é o queijo, é o polvilho”, destaca.

A cadeia está inserida em um setor que movimentou R$ 164,5 bilhões em Minas em 2025, equivalente a 11,9% da produção brasileira de alimentos. Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), são quase 7 mil empresas e aproximadamente 247 mil empregos diretos no Estado.

Para atender à demanda e aumentar a escala de produção, a tecnologia também tem ganhado espaço. Equipamentos vêm sendo incorporados para agilizar processos, enquanto avanços na secagem do polvilho diminuem a dependência das condições climáticas. Na produção de mandioca, pesquisas e novas tecnologias têm possibilitado a expansão do cultivo para diferentes regiões.

Ao mesmo tempo, custos com energia, logística e mão de obra continuam entre os desafios. Como o leite é uma das matérias-primas fundamentais, pressões nessa etapa podem chegar à indústria, ao comércio e, por fim, ao preço pago pelo consumidor.

Queridinho das padarias

É no balcão das padarias que a força do pão de queijo fica ainda mais evidente. Minas possui mais de 33 mil empresas ativas no segmento de panificação e confeitaria, segundo a Abip.

De acordo com a presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), Rita de Cássia de Miranda Gonçalves, a iguaria está entre os produtos mais vendidos e, em muitos estabelecimentos mineiros, perde apenas para o tradicional pão francês.

O cardápio, porém, já vai muito além da versão tradicional. Recheios, diferentes formatos e tamanhos e até preparações como waffles ampliaram as formas de consumo. A oferta do pão de queijo congelado também facilita a rotina das padarias, já que o produto pode seguir diretamente do congelador para o forno.

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