
Belo Horizonte enfrenta um verão marcado por chuvas acima da média histórica. Choveu em 51 dos 71 dias - entre 21 de dezembro de 2025 e 1º de março de 2026. Ou seja, precipitações foram registradas em 70% da estação.
O número representa um salto em comparação ao verão de 2024/2025, quando a cidade teve 37 dias chuvosos no mesmo recorte. Os dados foram informados pela Defesa Civil municipal.
A maior discrepância entre os dois períodos foi observada no mês de fevereiro. Enquanto em 2025 o mês foi marcado por um "veranico" - período de seca em meio à estação chuvosa - com apenas 4 dias de chuva, em 2026 o cenário foi inverso: foram 22 dias de precipitação.
A região do Barreiro registrou o maior acumulado deste período, com 966,3 mm, o que representa 69,5% da média climatológica esperada para todo o período chuvoso (que vai de outubro a março, fixada em 1391 mm). No período anterior, a mesma região havia acumulado 665,9 mm.
Dias chuvosos no verão 2025/2026
- 21/12/2025 a 31/12/2025 = 7 dias
- 1/1/2025 a 31/1/2026 = 21 dias
- 1/2/2026 a 28/2/2026 = 22 dias
- 1/3/2026 = 1 dia
- Total de dias com chuva de 21/12/2025 a 1/3/2026 = 51
Qual o motivo do aumento das chuvas?
De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizandro Gemiacki, a alta variabilidade de um ano para o outro é uma característica do clima na região, mas o cenário atual foi potencializado por “múltiplos fatores”.
O especialista explica que“sistemas meteorológicos atuaram de forma sequencial”, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e o avanço de frentes frias que organizaram áreas de instabilidade em todo o Sudeste.
“Também tivemos a condição das águas do oceano Atlântico estarem mais quentes, então tinha mais umidade na faixa oceânica. No caso da capital, algumas interações locais de aquecimento diurno e interação com a orografia (relevo da região que tem influência direta no clima), junto com uma condição de maior escala de instabilidade", destaca.
Gemiacki aponta que a combinação desses elementos resultou na condição de chuva persistente observada nesta temporada. O meteorologista ressalta ainda que, nos últimos anos, valores extremos, tanto de temperatura quanto de precipitação, têm se tornado mais frequentes na capital, o que explica a ocorrência de verões com características tão distintas em intervalos curtos de tempo.
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