ACIMA DA MÉDIA

Dia sim, e no outro também: verão em BH teve chuva em sete a cada dez dias

Foram 51 dias com precipitações na estação até o momento

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 05/03/2026 às 07:30.
 (Maurício Vieira / Hoje em Dia)
(Maurício Vieira / Hoje em Dia)

Belo Horizonte enfrenta um verão marcado por chuvas acima da média histórica. Choveu em 51 dos 71 dias - entre 21 de dezembro de 2025 e 1º de março de 2026. Ou seja, precipitações foram registradas em 70% da estação.

O número representa um salto em comparação ao verão de 2024/2025, quando a cidade teve 37 dias chuvosos no mesmo recorte. Os dados foram informados pela Defesa Civil municipal. 

A maior discrepância entre os dois períodos foi observada no mês de fevereiro. Enquanto em 2025 o mês foi marcado por um "veranico" - período de seca em meio à estação chuvosa - com apenas 4 dias de chuva, em 2026 o cenário foi inverso: foram 22 dias de precipitação.

A região do Barreiro registrou o maior acumulado deste período, com 966,3 mm, o que representa 69,5% da média climatológica esperada para todo o período chuvoso (que vai de outubro a março, fixada em 1391 mm). No período anterior, a mesma região havia acumulado 665,9 mm.

Dias chuvosos no verão 2025/2026

  • 21/12/2025 a 31/12/2025 = 7 dias 
  • 1/1/2025 a 31/1/2026 = 21 dias 
  • 1/2/2026 a 28/2/2026 = 22 dias 
  • 1/3/2026 = 1 dia 
  • Total de dias com chuva de 21/12/2025 a 1/3/2026 = 51  

Qual o motivo do aumento das chuvas? 

De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Lizandro Gemiacki, a alta variabilidade de um ano para o outro é uma característica do clima na região, mas o cenário atual foi potencializado por “múltiplos fatores”.

O especialista explica que“sistemas meteorológicos atuaram de forma sequencial”, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e o avanço de frentes frias que organizaram áreas de instabilidade em todo o Sudeste. 

“Também tivemos a condição das águas do oceano Atlântico estarem mais quentes, então tinha mais umidade na faixa oceânica. No caso da capital, algumas interações locais de aquecimento diurno e interação com a orografia (relevo da região que tem influência direta no clima), junto com uma condição de maior escala de instabilidade", destaca. 

Gemiacki aponta que a combinação desses elementos resultou na condição de chuva persistente observada nesta temporada. O meteorologista ressalta ainda que, nos últimos anos, valores extremos, tanto de temperatura quanto de precipitação, têm se tornado mais frequentes na capital, o que explica a ocorrência de verões com características tão distintas em intervalos curtos de tempo.

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