Diarista não demonstrou arrependimento em reconstituição de mortes de idosos, diz delegado
Segundo a Polícia Civil, suspeita apresentou versões diferentes durante a investigação e demonstrou preocupação com a aparência enquanto reconstituía o crime

A diarista de 30 anos indiciada pelo latrocínio de um casal de idosos no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, não demonstrou arrependimento durante a reconstituição do crime e apresentou comportamento considerado “frio e dissimulado” pela Polícia Civil. A avaliação foi detalhada nesta terça-feira (14) pelo delegado Gustavo Barletta durante a coletiva de imprensa que marcou a conclusão do inquérito.
Segundo o delegado, a investigada mudou sua versão dos fatos ao longo da apuração. Inicialmente, ela permaneceu em silêncio durante o interrogatório formal.
Mudanças de versão e tranquilidade
A oscilação nos relatos da suspeita chamou a atenção da equipe de investigação:
- No momento da prisão: Apresentou uma primeira versão em um hotel na cidade de Itabira.
- Na reconstituição: Mudou a narrativa dos fatos diante dos agentes.
- Na segunda oitiva: Apresentou um terceiro tipo de depoimento formal.
O delegado relatou que a postura da suspeita chamou a atenção dos investigadores por demonstrar tranquilidade ao reconstituir os assassinatos.
Detalhes seletivos
A diarista lembrava de detalhes minuciosos das agressões, mas afirmava não se recordar da sequência exata das ações contra os idosos.
De acordo com o delegado, a mulher narrava as ações com nitidez, mas começava a "dar uma de desentendida" quando questionada sobre quem foi a primeira vítima a ser atacada, o motivo do ataque inicial e a sequência cronológica dos fatos.
Outro ponto destacado por Gustavo Barletta foi o comportamento da investigada durante os trabalhos de simulação. Enquanto respondia aos questionamentos da perícia técnica, a mulher demonstrava preocupação excessiva com seu cabelo e com as unhas. Ao explicar como havia desferido os golpes contra o casal, ela chegou a perguntar à perita criminal se ela “já teria matado uma galinha”.
Para a Polícia Civil, a postura observada durante toda a investigação reforça o entendimento de que a investigada tinha plena consciência e capacidade de compreender seus atos no momento dos assassinatos. O inquérito foi concluído na segunda-feira (13), com o indiciamento formal da diarista por dois crimes de latrocínio.
Em nota, a defesa da diarista informou que tomou conhecimento do Relatório Final apresentado pela Autoridade Policial no inquérito policial e que continará atuando "de forma técnica, séria, respeitosa e estritamente pautada pelos fatos formalizados nos autos."
O comunicado diz ainda que, "por respeito à investigação, às instituições e ao próprio processo, a Defesa não fará qualquer antecipação de teses ou juízo de valor sobre o mérito, limitando-se a se manifestar nos autos e nos momentos processuais adequados."