Diarista presa por matar idosos nega dívidas com agiota e diz que cometeu crime por ganância
Investigada foi transferida para presídio em Ribeirão das Neves, enquanto polícia aponta contradições entre depoimento e relato de familiares

A diarista de 30 anos, presa suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foi encaminhada ao Presídio José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana. onde aguarda os desdobramentos da investigação.
Durante depoimento à Polícia Civil nesta quinta-feira (2), a mulher negou que o crime tenha sido motivado por dívidas e afirmou que queria dinheiro para manter o próprio estilo de vida.
A versão contrasta com o relato do advogado Vinicius Moreira Mitre, primo da empresária e responsável por indicar a funcionária ao casal, que afirma ter ajudado financeiramente a diarista após ela dizer que estava sendo ameaçada por um agiota.
Dificuldades financeiras
Mitre revelou que, meses antes do crime, a diarista o procurou dizendo que estava sendo ameaçada de morte por um agiota e temia pela segurança do filho.
“Ela me falou que estava sendo ameaçada de morte por um agiota. Eu orientei que fosse à delegacia e conversei com o policial que a atendeu. Eu fiz uma composição com esse agiota, indiretamente, e paguei na época algo em torno de R$ 5 mil para ela”, relatou.
A Polícia Civil também apurou que a mulher havia feito, em 2024, um empréstimo de aproximadamente R$ 40 mil em Ribeirão das Neves para quitar dívidas relacionadas a jogos de azar.
Segundo o delegado Gustavo Barletta, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), tanto a investigada quanto os familiares sustentam que esse débito já havia sido totalmente pago antes dos assassinatos.
“A família dela esteve aqui na delegacia e confirmou isso, que ela já teria quitado toda essa dívida. Aí eu perguntei por que você queria esse dinheiro, e ela respondeu que era uma pessoa gananciosa”, relatou o delegado.
Ainda conforme Barletta, a suspeita afirmou que pretendia usar o dinheiro para gastos pessoais. “Ela disse que gosta de viver a vida, e que 'não queria que tivesse acontecido isso, mas infelizmente aconteceu e agora terá que responder e pagar por isso’”, disse.
A Polícia Civil informou que parte do dinheiro levado da casa das vítimas foi gasta durante os dias em que a mulher permaneceu foragida. “Ela estava gastando bastante dinheiro, comendo na rua, restaurante, Uber para todo lado, compras, enfim”, afirmou o delegado.
O que diz a defesa da suspeita
De acordo com a defesa da diarista, as razões defensivas serão apresentadas no momento processual oportuno. "Qualquer conclusão acerca da responsabilidade da investigada deve decorrer exclusivamente da regular instrução processual, e não de julgamentos antecipados ou da repercussão do caso", detalhou o advogado Bruno Correa Lemos.
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