
A diarista de 30 anos indiciada pelo latrocínio de um casal de idosos no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, queimou a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, com thinner antes de matá-la a facadas. A conclusão é da Polícia Civil, que finalizou o inquérito do caso e afirmou que a dinâmica do crime foi confirmada pela confissão da investigada e pelos laudos periciais.
Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, a suspeita relatou que tentou matar a idosa por asfixia antes de recorrer às facas. “Ela usou uma almofada e também um produto químico, um solvente fortíssimo e tóxico, conhecido como thinner”, afirmou o delegado.
Ainda conforme Barletta, o uso do produto foi confirmado pelo exame cadavérico realizado pela perícia da Polícia Civil. A vítima apresentava, além das 15 perfurações de faca, diversas queimaduras na região do tórax, do rosto e do olho, inclusive com a córnea queimada. O perito legista explicou que o agente químico produziu essas lesões.
Dinâmica do crime e violência
A investigação aponta que, após dopar o casal com clonazepam, a diarista iniciou a ação criminosa dentro do apartamento. A polícia acredita que o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, acordou enquanto ela recolhia os objetos de valor e tentou se defender. Ele foi atingido por 43 facadas, incluindo golpes no rosto, olho, pescoço, costas e coração, além de apresentar diversas lesões de defesa, segundo a perícia.
Depois, a suspeita voltou para a sala, onde Maria Clotilde estava desacordada. Sem conseguir matá-la por asfixia, a investigada utilizou o thinner e, em seguida, desferiu 15 facadas, inclusive no coração da vítima.
Fuga e indiciamento
Após os assassinatos, a diarista recolheu dinheiro, relógios, joias, roupas e outros pertences do casal. Ela deixou o prédio usando roupas da própria vítima e seguiu para a região da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, onde vendeu parte dos objetos roubados.
O inquérito foi concluído na segunda-feira (13). A investigada foi indiciada por dois crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e permanece presa no Presídio José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves.
Em nota, a defesa da diarista informou que tomou conhecimento do Relatório Final apresentado pela Autoridade Policial no inquérito policial e que continará atuando "de forma técnica, séria, respeitosa e estritamente pautada pelos fatos formalizados nos autos."
O comunicado diz ainda que, "por respeito à investigação, às instituições e ao próprio processo, a Defesa não fará qualquer antecipação de teses ou juízo de valor sobre o mérito, limitando-se a se manifestar nos autos e nos momentos processuais adequados."
Leia mais:
