'Dormi dentro do carro': mulher acredita que também foi dopada por suspeita de matar idosos em BH
Nutricionista revelou que contratou diarista cinco dias antes do crime no bairro São Pedro

Cinco dias antes de uma diarista ser suspeita de dopar e matar um casal de idosos em Belo Horizonte, a nutricionista Raphaella Parreiras, de 28 anos, revelou ter sido vítima da mesma mulher. Moradora do bairro Buritis, na região Oeste da capital, ela afirma que contratou a faxineira para um serviço no dia 24 de junho e, horas depois, ela e o marido sentiram uma sonolência incomum. Quando perceberam o que havia acontecido, diversos objetos haviam desaparecido do apartamento. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 30 mil.
Segundo a nutricionista, a mulher chegou ao apartamento por volta das 8h15. Ela e o marido estavam em casa e saíram por um breve período para comprar produtos de limpeza solicitados pela própria diarista. Nesse momento, Raphaella começou a passar mal.
"Eu comecei a sentir uma sonolência muito grande e acabei dormindo dentro do carro, no estacionamento do supermercado", contou.
Ela disse que não havia consumido nenhum alimento naquele período e acredita que a água que estava bebendo tenha sido adulterada enquanto ela circulava pelo apartamento. Depois, já durante a tarde, foi a vez do marido apresentar o mesmo sintoma. Ele decidiu ir dormir, enquanto a diarista terminava a faxina. Imagens das câmeras do prédio mostram a mulher deixando o local carregando diversos pertences.
"Foi muito assustador, porque a gente se expõe a pessoas que podem lesar tanto materialmente quanto colocar a vida da gente em risco. (...) Se meu marido tivesse acordado, eu não sei o que poderia ter acontecido", conta.
Raphaella revelou que encontrou a diarista por indicação em um grupo de moradores do Buritis, onde havia recomendações publicadas por diferentes pessoas ao longo dos últimos anos. "Era uma pessoa que tinha diferentes indicações em momentos diferentes. Tinha depoimentos de pessoas dizendo que ela trabalhava havia um ano nas casas delas".
A suspeita foi indiciada pela Polícia Civil por dois crimes de latrocínio (roubo seguido de morte). Segundo as investigações, ela dopou e matou um casal de idosos em um apartamento no bairro São Pedro, na região Centro-Sul da capital, em 29 de junho. O inquérito foi concluído na segunda-feira (13). A mulher foi presa dois dias após o crime, em Itabira, na região Central de Minas.
Relembre o crime
Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira, de 76, foram mortos com mais de 40 facadas. As investigações indicam que o crime aconteceu na tarde de 29 de junho, uma segunda-feira. A suspeita do crime foi presa dois dias depois em um hotel em Itabira, na região Central.
A perícia da Polícia Civil constatou a presença de calmantes e sedativos nas amostras de sangue do casal de idosos. A investigação, que apura o crime de latrocínios, aponta que a suspeita, que trabalhava como diarista para o casal, diluiu os comprimidos em copos de suco servidos às vítimas antes de esfaqueá-las.
Segundo a perícia inicial, após ingerirem o suco, os idosos começaram a passar mal e a perder os sentidos, momento em que foram iniciados os ataques com uma faca da própria residência.
Os corpos foram encontrados na tarde de terça-feira (30). No local do crime, os peritos constataram o arrombamento de uma gaveta onde eram guardadas semijóias. Os celulares das vítimas também foram roubados.
Imagens de câmeras de segurança flagraram a investigada entrando no prédio com uma vestimenta e saindo do local usando roupas de Maria Clotilde.
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