NO BARREIRO

Empena de prédio e muro de escola recebem murais com pigmentos feitos das cinzas de incêndios

Ações fazem parte do Festival Paredes Vivas e propõem reflexão sobre preservação ambiental, resistência e reconstrução da vida após a devastação

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 13/04/2026 às 20:20.Atualizado em 13/04/2026 às 20:24.
Pinturas com pigmentos feitos de cinzas de incêndios florestais fazem parte da programação do Festival Paredes Vivas e propõem reflexão sobre a vida após a devastação (Joca Corsino/@jocacorsino)
Pinturas com pigmentos feitos de cinzas de incêndios florestais fazem parte da programação do Festival Paredes Vivas e propõem reflexão sobre a vida após a devastação (Joca Corsino/@jocacorsino)

A empena de um prédio e o muro de uma escola estadual, ambos localizados no Barreiro, em Belo Horizonte, estão de "cara nova". Os murais, que visam a provocar reflexões sobre a preservação ambiental e a reconstrução da vida após a devastação, foram pintados com pigmentos feitos a partir de cinzas recolhidas de incêndios florestais. As ações integram a programação do Festival Paredes Vivas, realizado em BH até sexta-feira (17).

A obra que enfeita o prédio residencial mostra duas mulheres - uma brigadista e uma indígena - segurando em suas mãos cinzas e terra, de onde brotam árvores vivas. Intitulada “Renascer das Cinzas”, a pintura foi criada pela artista Fênix.

Para ela, a obra traduz que a proteção da natureza “nasce tanto da resistência de quem enfrenta o fogo quanto da sabedoria ancestral de quem historicamente preserva o território.”

Já no muro da Escola Estadual Cecília Meireles, no bairro Teixeira Dias, foi realizado o mural “Braços Erguidos - Pela vida e pela floresta”, criado pelo artista mineiro Marcos Asher.

A obra homenageia brigadistas florestais e destaca a força coletiva necessária para proteger a vida e os biomas. A pintura  mostra homens e mulheres com braços erguidos, representando proteção, luta e esperança. 

Das cinzas à tinta 

Durante os meses de maio a julho de 2024 foram coletadas cinzas de incêndios de todo o Brasil. Foi realizada uma articulação com brigadas florestais, com apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV).

Recebidas pela equipe do projeto, as cinzas foram pesadas, peneiradas e enviadas aos artistas. Misturada com resina acrílica, a substância funciona como uma aquarela. As variações das cores das cinzas de cada bioma e em decorrência do tipo de matéria queimada permitem aos artistas desenvolver diferentes tonalidades da cor cinza. 

Parte do processo de fabricação das tintas utilizadas no festival foi registrado no documentário "Cinzas da Floresta", dirigido por André D'Elia. O trailer pode ser acessado pelo YouTube.

"É importante que as pessoas conheçam esse trabalho, apoiem e divulguem. Esperamos a partir disso conseguir cada vez mais pessoas envolvidas nesse cuidado ambiental, para que um dia a gente não precise mais combater incêndios", conclui Bea Mansano, coordenadora do Festival Paredes Vivas.

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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