Leonardo Santana

Escultor da estátua de Roberto Drummond lamenta nova depredação: 'triste, mas não surpreso'

Leonardo Santana, autor da obra, diz que vandalismo é recorrente e atinge todo o circuito literário de BH

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 22/12/2025 às 17:08.Atualizado em 22/12/2025 às 17:34.
O escultor Leonardo Santana esteve na Praça Diogo Vasconcelos, na Savassi, após a queda da estátua de Roberto Drummond, obra de sua autoria instalada no local desde 2003 (Maurício Vieira/Hoje em Dia)
O escultor Leonardo Santana esteve na Praça Diogo Vasconcelos, na Savassi, após a queda da estátua de Roberto Drummond, obra de sua autoria instalada no local desde 2003 (Maurício Vieira/Hoje em Dia)

O escultor Leonardo Santana, que fez a estátua de Roberto Drummond instalada na Praça Diogo Vasconcelos, na Savassi, afirmou que a queda do monumento, registrada na madrugada desta segunda-feira (22), provoca tristeza, mas não surpresa. Ele destacou que episódios semelhantes já atingiram outras obras espalhadas pela capital.

“É uma tristeza, né? Gente que ainda tem esse tipo de atitude. Afinal, é um objeto nosso. A cidade é uma extensão da casa”, afirmou o escultor. Para ele, quem vandaliza um bem público age como se estivesse destruindo algo próprio: “uma pessoa que faz isso com um trabalho que está numa praça, está fazendo com uma coisa que é dele”.

Segundo Leonardo Santana, não se trata de um caso isolado. Ele lembrou que as esculturas do Circuito Literário de BH passaram por restauro recente justamente por conta de danos acumulados ao longo dos anos. “Essa aqui mesmo já foi restaurada. A da Henriqueta Lisboa, Murilo Rubião, Drummond e Pedro Nava, lá no Centro, foram restauradas há um ano ou dois atrás”, disse.

O escultor detalhou que os ataques variam desde pichações até danos mais severos às estruturas. Questionado sobre o que poderia ser feito para reduzir a frequência desse tipo de ocorrência, Leonardo Santana evitou responsabilizar apenas os autores dos ataques e apontou um problema mais profundo.

“Antes de tudo é uma coisa de base: educação. Educação, informação, sensibilidade”, afirmou. Para ele, a relação da população com o espaço urbano passa diretamente pela formação cidadã. “Encarar a cidade como o local delas. Isso tem que ser feito sempre de base. Educação primordial”.

A estátua de Roberto Drummond foi recolhida pela Prefeitura de Belo Horizonte e será enviada para avaliação técnica do próprio artista, que ficará responsável por analisar as condições da obra para restauro e reinstalação. O caso é investigado pela Polícia Civil como dano ao patrimônio público.

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