Fábrica da Suggar que pegou fogo estava com vistoria do Corpo de Bombeiros irregular
Empresa operava sem o AVCB e será notificada pela corporação após chamas consumirem galpão na Região Oeste; desastre provocou evacuação e deixou moradores sem luz

A fábrica da Suggar, parcialmente destruída por um incêndio de grandes proporções na madrugada desta sexta-feira (7), no bairro Pilar, na região Oeste de Belo Horizonte, operava sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A ausência do documento, que atesta a regularidade das medidas de segurança contra incêndio e pânico no local, foi confirmada pelo porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), tenente Henrique Barcellos, que adiantou que a empresa será notificada.
A corporação consultou o endereço do galpão e constatou a inexistência do AVCB emitido. Segundo o oficial, havia um projeto de segurança aprovado desde 2022, mas que passou por adaptações após fiscalizações apontarem divergências na execução. O projeto foi substituído em 2025, porém, desde então, a corporação não foi acionada para a vistoria final.
"De 2025 até o momento, a empresa não sinalizou um retorno da corporação aqui com esse projeto executado. O empreendimento estava em processo de regularização, mas sem a presença do AVCB, que é o documento que atesta a segurança contra incêndio e pânico no local", explicou o tenente.
Barcellos ressaltou que cabe ao empreendedor executar as medidas previstas e comunicar a corporação. Ele destacou ainda que a ausência da licença não impede o funcionamento de forma automática, mas atribui responsabilidade integral ao proprietário. "O empreendedor correu o risco de funcionar sem estar regular junto à corporação. Ele será notificado por todo esse processo gerado, pelos danos e também pelo risco causado à população. Sem dúvida será notificada, porque esse processo é de responsabilidade do empreendedor", afirmou. O militar acrescentou que moradores afetados poderão buscar reparação na Justiça com base no boletim de ocorrência.
Carga combustível e combate às chamas
O fogo começou por volta de 0h50 e mobilizou mais de 30 militares no momento mais crítico da operação. A presença de materiais plásticos e óleos industriais acelerou a propagação das chamas. "Uma fábrica de eletrodomésticos, em sua maioria material plástico, também algum material de combustível inflamável líquido, óleo de algumas máquinas, tudo isso tornou o poder calorífico desse incêndio e a propagação muito incisiva no primeiro momento", relatou Barcellos.
Parte da estrutura metálica do galpão desabou, exigindo o uso de espuma especial para combater os focos remanescentes sob os escombros. Não houve registro de vítimas.
Evacuação de residências e corte de energia
A gravidade do incêndio assustou quem mora no entorno e exigiu a evacuação preventiva de residências. A aposentada Isabel Rodrigues da Silva Correia, de 70 anos, descreveu o momento: "Eu fiquei desesperada. Vi muito fogo e muita fumaça. A fiação estava queimando. Pensei que minha casa também fosse pegar fogo."
O mecânico Rony Ferreira Dias, de 35 anos, morador vizinho ao galpão, ajudou na retirada de famílias da área de risco. "Nosso maior medo era o fogo se espalhar para as casas. A proporção das chamas assustava muito. A gente foi de casa em casa para ver se ninguém tinha ficado para trás", disse.
Para garantir a segurança no combate ao fogo, a Cemig desligou a rede elétrica da região, deixando cerca de 200 clientes temporariamente sem energia.
As causas do sinistro serão apuradas pela perícia técnica da Polícia Civil. "Algumas testemunhas falaram que esse incêndio começou numa parte ali central do galpão, onde se tem muitos materiais inflamáveis. Foi também solicitado aqui o desligamento da rede elétrica, por uma questão de curto-circuito. Todos esses fatores não podem ser dispensados numa perícia técnica", apontou o tenente. A Defesa Civil também avalia o risco estrutural do galpão e das casas vizinhas.
A Suggar Eletrodomésticos informou que realizou o cadastro das pessoas afetadas e mantém contato direto com os moradores do entorno da unidade para prestar o suporte necessário.
“Nos próximos dias, também serão disponibilizados atendimentos médico e psicológico aos moradores que necessitarem desse suporte. A Suggar aguarda a conclusão do trabalho da Defesa Civil para os próximos passos”, escreveu a empresa.
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