Reviravolta

Feminicídio na Savassi: homem de 45 anos é preso suspeito de forjar suicídio da namorada de 25

Namorado de 45 anos foi preso temporariamente após laudo apontar asfixia mecânica; investigação aponta comportamento controlador e interesse patrimonial

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 19/05/2026 às 12:04.Atualizado em 19/05/2026 às 13:06.
 (PCMG/Reprodução)
(PCMG/Reprodução)

A morte da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, inicialmente tratada como possível suicídio, passou a ser investigada como homicídio pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), conforme divulgado pela corporação nesta terça-feira (19). 

A jovem foi encontrada sem vida no próprio apartamento, no bairro Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Apesar da linha inicial de apuração, a investigação da Polícia Civil aponta que ela foi vítima de feminicídio. Os detalhes foram divulgados em coletiva de imprensa. O namorado dela, um homem de 45 anos, foi preso temporariamente na última sexta-feira (15), no imóvel da vítima, e permaneceu em silêncio ao ser questionado sobre o caso.

Giovanna foi encontrada morta por uma amiga no dia 9 de fevereiro. Segundo a delegada Ariadne Luiz Coelho, titular do Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios, a cena do crime continha elementos que poderiam indicar autoextermínio, como medicamentos no local, além do histórico depressivo da jovem. No entanto, o laudo de necropsia descartou essa hipótese ao apontar asfixia mecânica por sufocação direta.

“Essas mulheres que têm algum tipo de sofrimento psíquico, que têm momentos de depressão, isso não pode ser utilizado para invisibilizar mortes de mulheres violentas”, afirmou a delegada durante a apresentação do caso.

De acordo com as apurações, o relacionamento do casal começou em outubro de 2025. A polícia apurou que, desde o início, o suspeito passou a permanecer no apartamento de Giovanna, levou pertences para o imóvel e chegou a transferir contas para o próprio nome. Testemunhas relataram que a jovem mudou de comportamento, afastou-se de familiares e amigas e demonstrava forte dependência psicológica em relação ao companheiro.

A Polícia Civil também investiga a existência de motivação financeira. Giovanna tinha cerca de R$ 200 mil em uma conta bancária, valor decorrente da venda de um imóvel herdado após a morte do pai. O apartamento onde ela residia na Savassi também era uma herança de família.

Ainda segundo a delegada responsável, o comportamento do investigado após a morte chamou a atenção das autoridades. Ele teria ajuizado uma ação de reconhecimento de união estável pós-morte, enviado áudios a amigas e familiares e afirmado que Giovanna “morreu nos meus braços”, apesar de não ter acionado as forças de segurança. Câmeras de segurança registraram que o homem deixou o prédio entre 6h e 7h da manhã, horas antes de a vítima ser encontrada pela amiga.

A instituição também apura registros policiais anteriores envolvendo o suspeito, incluindo denúncias de importunação sexual e suspeitas de violência psicológica contra outras mulheres. A delegada informou que, caso existam outras vítimas do investigado, elas devem procurar o Núcleo de Feminicídios do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para relatar os fatos.

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