‘Feminicídio praticado também por uma mulher’, diz delegado sobre morte de jovem em Jaboticatubas
Ex-namorado de 18 anos e atual companheira dele, de 23, foram presos suspeitos do crime e de ocultação e destruição de cadáver; corpo de Beatriz Vitória, de 27 anos, foi encontrado enterrado em uma área rural

“Estamos falando de um feminicídio. É feminicídio. E o mais impactante disso é que o feminicídio foi praticado pelo ex-namorado e por uma outra mulher. Estamos falando de um feminicídio praticado também por uma mulher.” A declaração é do delegado Júlio Wilke, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), durante a apresentação dos detalhes da investigação sobre a morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, encontrada enterrada em uma área rural de Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O ex-namorado da vítima, de 18 anos, e a atual companheira dele, de 23, foram presos suspeitos de feminicídio, além de crimes relacionados à ocultação e à destruição de cadáver. Os detalhes das prisões foram divulgados nesta quinta-feira (22), um dia após a localização do corpo.
Os dois foram encontrados na residência da mulher e encaminhados à Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, em Belo Horizonte, onde foi formalizada a prisão em flagrante.
Investigação aponta participação dos suspeitos
Segundo o delegado Alexandre Fonseca, responsável pelas diligências, os investigadores chegaram aos suspeitos após analisar imagens de câmeras de segurança e colher depoimentos que os relacionaram a um Volkswagen Up branco visto nas proximidades do bar onde Beatriz foi vista pela última vez, em 9 de outubro.
Uma adolescente de 15 anos também estava no veículo. Ela colaborou com a investigação e indicou a região onde o corpo da jovem estava enterrado. A possível participação da adolescente nos acontecimentos ainda é apurada.
O que disseram os investigados?
Em depoimento, o ex-namorado admitiu que dirigia o carro e que buscou Beatriz nas proximidades do bar. No entanto, negou ter executado o crime e atribuiu o planejamento e a prática à adolescente. Ele também tentou isentar a atual companheira de envolvimento.
A mulher, por sua vez, exerceu o direito de permanecer em silêncio. “Porém, o bojo das investigações bem conduzidas pela Delegacia de Jaboticatubas indica o contrário. Todos estavam na cena do crime”, afirmou o delegado Alexandre Fonseca.
A Polícia Civil apreendeu celulares que serão analisados para esclarecer a dinâmica do crime e a responsabilidade de cada envolvido.
Corpo foi encontrado com mãos e pés amarrados
Beatriz foi encontrada com as mãos e os pés amarrados. Os laudos periciais ainda são aguardados para determinar a causa da morte e verificar se houve outras formas de violência.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias do feminicídio e os possíveis crimes associados à ocultação e à destruição do cadáver.
O que dizem as defesas?
O advogado Dracon Cavalcante, que representa o ex-namorado, afirmou que o cliente nega participação na morte.
Já a advogada Tatiany Barbosa, responsável pela defesa da atual companheira, informou que a mulher se declarou inocente e optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.
Leia mais: