Fósseis de 2 bilhões de anos que lembram 'pelagem de onça' são encontrados na Faculdade de Medicina
Patrimônio geológico achado no revestimento de mármore está entre os mais antigos já registrados no Brasil

Fósseis encontrados em um revestimento de mármore, no hall de entrada da Faculdade de Medicina da UFMG, na região hospitalar, em Belo Horizonte, figuram entre os mais antigos registrados no Brasil. A descoberta, divulgada pela instituição nesta segunda-feira (27), revela um patrimônio geológico com idade estimada em cerca de 2,1 bilhões de anos.
Os fósseis são de estromatólitos - formações produzidas por colônias de cianobactérias, microrganismos que desempenharam papel fundamental na oxigenação da atmosfera terrestre. As estruturas se formam pelo crescimento sucessivo de camadas bacterianas que, ao longo de bilhões de anos, acumulam sedimentos e minerais, resultando em sua gradual calcificação.
A descoberta foi feita pelo professor Kennedy Martinez, do Departamento de Anatomia e Imagem (IMA), que identificou as estruturas após anos de observação e estudo. Segundo o pesquisador, grande parte do território que hoje corresponde a Minas esteve coberta por mares rasos e quentes há bilhões de anos, condições ideais para o desenvolvimento dos estromatólitos.
As rochas presentes na faculdade são originárias da região de Ouro Preto, mais especificamente da antiga Pedreira Cumbi, conhecida pela extração desse tipo de mármore dolomítico - rocha natural composta por carbonato de cálcio e magnésio.
O professor destaca ainda que o revestimento é original e nunca passou por reformas significativas. Os fósseis podem ser observados no saguão principal da Faculdade de Medicina da UFMG e em áreas da biblioteca.
Os vestígios geológicos aparecem em cortes transversais da rocha, formando desenhos que lembram uma pelagem de onça. “Cada uma dessas marcas corresponde a uma antiga colônia de cianobactérias que cresceu verticalmente, em um processo que podemos comparar ao empilhamento de moedas”, explica Kennedy.
Conforme a universidade, a identificação dos fósseis foi possível graças à experiência do pesquisador em morfologia e anatomia, áreas que exigem atenção a formas e padrões. Embora já suspeitasse da presença dos estromatólitos há cerca de oito anos, a confirmação só ocorreu após a realização de registros fotográficos, comparações detalhadas e consultas a especialistas em paleontologia.
De acordo com os especialistas consultados, além dos estromatólitos encontrados na faculdade estarem entre os mais antigos já registrados no Brasil, os vestígios figuram entre os exemplares mais antigos do mundo. A avaliação é do professor Rodrigo Lopes Ferreira, do Departamento de Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Lavras (UFLA).
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