Greve dos garis entra no 3° dia e lixo segue acumulado em BH; audiência pode pôr fim à paralisação
Reunião será realizada nesta quarta-feira (21) com representantes dos trabalhadores, prefeitura e empresa responsável pela contratação dos funcionários

A paralisação dos garis que prestam serviço de coleta em Belo Horizonte entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (21), e bairros das regiões Leste, Noroeste e Nordeste da capital seguem com lixo acumulado desde segunda-feira (19). Uma audiência, que será realizada às 15h na sede da Procuradoria Regional do Trabalho em Belo Horizonte (PRT-3), pode pôr fim à greve.
A reunião contará com a presença de uma comissão de trabalhadores, representantes da empresa responsável pela contratação dos funcionários, do sindicato da categoria (Sindeac) e da Prefeitura de Belo Horizonte.
Os profissionais em greve apontam que a empresa estaria forçando a operação com apenas três pessoas por caminhão, quando o correto seriam quatro. Além disso, alegam precariedade na manutenção da frota disponível para o serviço.
A categoria afirma ainda que o depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) está atrasado e que os profissionais estão sem convênio médico.
A Prefeitura de BH foi procurada para comentar sobre a audiência marcada para esta quarta-feira (21), mas não houve retorno até a publicação da reportagem.
Sem atrasos nos repasses, diz PBH
Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirma que não há atraso nos repasses de recursos às empresas contratadas para executar o serviço de coleta do lixo. O município ainda afirma que mobilizou, de forma emergencial, 308 garis e 47 caminhões (38 basculantes e 9 compactadores) para atender as áreas mais afetadas.
“A PBH lamenta os transtornos causados diante desta paralisação, pede desculpas à população e salienta que cobrará da empresa contratada providências imediatas para que o impasse entre ela e seus funcionários se resolva o quanto antes e a coleta do lixo volte à normalidade”, diz o município.
Empresa responsável pela execução dos serviços de limpeza, a Sistema Serviços Urbanos (Sistemma) informou ter sido surpreendida pela paralisação, classificada por ela como "irregular" e "legitimidade sindical". Segundo ela, a legislação exige comunicação prévia mínima de 72 horas, o que não teria sido respeitado.
Além disso, a empresa alega a atuação de "terceiros" sem vínculo empregatício. "Essas condutas são especialmente graves porque podem induzir trabalhadores ao erro, expondo-os a riscos trabalhistas, inclusive à possibilidade de desligamentos, além de gerar prejuízos diretos à continuidade de um serviço público essencial, afetando toda a população de Belo Horizonte".
A Sistemma informou ter adotou "medidas judiciais cabíveis", com o devido acionamento do Tribunal Regional do Trabalho. A polícia também foi comunicada.
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