
O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) afirmou que não atenderá uma das oito reivindicações que, segundo ele, foram apresentadas pelo Sind-Rede neste período de greve dos professores, que completa 19 dias nesta sexta-feira (15). A categoria cobra o fim das contratações via Organização da Sociedade Civil (OSCs).
O recado de Damião foi claro: as OSC´s fazem parte da atual gestão e “ninguém vai interferir no modelo de gestão da prefeitura”. A afirmação foi feita pelo chefe do executivo municipal durante anuncio da construção de duas novas áreas de escape no Anel Rodoviário de BH.
“As OSC´s vieram para ficar. Elas não estão ocupando espaço de ninguém. Elas estão hoje dentro da Secretaria de Educação para ficar, para ajudar. Até para vocês entenderem também, eu pago o salário da cantineira, eu pago o salário do porteiro, só que esse salário que eu pago, que é um bom salário, não chegava na cantineira e nem chegava no porteiro”, pontuou.
Damião disse que antes da Organização da Sociedade Civil, a empresa responsável pelo processo cobrava uma taxa de administração e “pegava boa parte do dinheiro” destinado ao pagamento dos contratados.
“Qual é o interesse do município? O interesse do município é que cada um que faz a comida lá para os meninos estudarem, ganhem mais e fiquem felizes. E foi isso que eu fiz”, ressaltou o prefeito.
O chefe do Executivo garantiu que a presença das OSC´s não interfere nas diretivas pedagógicas das escolas e que os profissionais trabalham apenas como monitores, principalmente para crianças com transtorno do espectro autista (TEA). Anda de acordo com Álvaro Damião, a empresa que atuava antes não era preparada para atender a este público.
“Hoje são preparados para cuidar das crianças que mais precisam em Belo Horizonte", garantiu.
Nota do Sind-REDE
Na quinta-feira (14), o Sind-Rede divulgou uma nota alegando que não seriam apenas oito pautas que foram entregues ao executivo municipal, mas sim, superior a 70 itens. Dentre as que não foram respondidas está a privatização do atendimento educacional especializado via OSC´s.
Segundo o sindicato, a PBH decidiu abrir mão de professores concursados na equipe que foi destinada para elaborar o plano de atendimento para as crianças com deficiência e neurodivergentes, em prol de contratar profissionais via Organização da Sociedade Civil.
A categoria reforça que o retorno às salas de aula "depende exclusivamente do avanço em propostas que atendam de fato às necessidades dos trabalhadores e corrijam as distorções apontadas ao longo das reuniões de negociação".
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