Há mais de 40 anos, fiel caminha 7 km para agradecer a São Judas Tadeu em BH: ‘venho todo dia 28’
Santuário no bairro da Graça recebe devotos nesta quarta-feira (28), dia do santo das causas impossíveis

Há mais de quatro décadas, Ângela Mara Santana, de 54 anos, percorre cerca de sete quilômetros a pé, do bairro Guarani, região Norte de BH, até o Santuário Arquidiocesano de São Judas Tadeu, no bairro da Graça, na região Nordeste. A caminhada, que dura aproximadamente uma hora, é repetida todo dia 28 do mês, data que é celebrada a festa de São Judas Tadeu, padroeiro das causas impossíveis.
O feito se repetiu nesta quarta (28), pagando a promessa que foi feita pela mãe, quando ela adolescente e enfrentava dificuldades na escola. Com medo de perder o ano letivo, ouviu da mãe um conselho que mudaria sua relação com a fé ao santo.
“Minha mãe foi e falou assim: ‘Ó, minha filha, pede a São Judas para ele te ajudar, mas você tem que pedir a graça e oferecer alguma coisa para ele’”, recorda.
Na época, Ângela prometeu que, caso conseguisse passar de ano, produziria uma vela de sua altura e a levaria ao santuário caminhando. Segundo ela, o pedido foi atendido e deu início a uma tradição que se mantém até hoje.
“Daí que começou a minha peregrinação e a minha fé em São Judas, porque a minha graça foi alcançada. Aí eu venho todo dia 28 e toda vez que preciso de alguma coisa, eu peço a ele”, conta.
Promessas que atravessam a vida
Ao longo dos anos, Ângela passou a recorrer ao santo também em momentos de dificuldade familiar. Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 2017, quando o marido sofreu um infarto. Segundo ela, a situação era grave e os médicos apresentaram um prognóstico preocupante. Enquanto aguardava notícias no hospital, procurou uma capela para rezar.
Ela conta que o marido se recuperou daquele episódio e viveu por mais quatro anos, até falecer em 2021, por outra causa. Como forma de agradecimento pelas graças que atribui à intercessão do santo, ela costuma abrir mão de algo de que gosta.
Atualmente, está há quase um ano sem tomar café, bebida que fazia parte da rotina. “Eu sou uma pessoa que amo café, não vivo sem café. Então, assim, eu sempre ofereço alguma coisa em troca”, explica.
Para a dona de casa, a tradição ensinada pela mãe se tornou uma forma de enfrentar as dificuldades e manter a esperança. Ela lembra que, diante dos problemas enfrentados pela família, a mãe costumava fazer uma pergunta que permanece viva em sua memória: “Você não tem fé, não?”.
Devoção desde a infância
A aposentada Maria do Carmo, de 75 anos, também esteve no santuário nesta quarta-feira. Sua relação com São Judas Tadeu começou ainda na infância, quando acompanhava a mãe às celebrações religiosas. Para ela, a fé no santo representa um amparo nos momentos difíceis. “Eu peço, grito por ele nas horas difíceis, ele vem na hora, me ajuda e, quando posso, eu venho”, relata.
Apesar da vontade de acompanhar a celebração até o fim, Maria do Carmo contou que precisaria deixar o santuário mais cedo por causa de problemas de saúde. Com labirintite e artrose, ela explicou que estava enfrentando dificuldades para permanecer no local, que, segundo seu relato, estava bastante cheio. Ainda assim, fez questão de comparecer à igreja para manter uma tradição que atravessa praticamente toda a sua vida.
Missas a cada duas horas no santuário
Para celebrar o Dia de São Judas Tadeu, o santuário localizado na rua Macaé, número 629, no bairro da Graça, preparou uma programação especial nesta quarta-feira. As missas estão previstas a cada duas horas, desde a meia-noite até as 22h. As celebrações das 8h e das 10h tiveram temática sertaneja.
A programação dá continuidade à novena iniciada em 18 de outubro e encerrada na terça-feira (27). No sábado (31), estão previstas outras três missas, às 7h, 16h e 18h. A última será uma celebração em ação de graças pela festa do padroeiro, com a bênção do Santíssimo Sacramento.
Por que São Judas Tadeu é conhecido como santo das causas impossíveis?
São Judas Tadeu é reconhecido pela tradição católica como um dos 12 apóstolos de Jesus Cristo e é considerado seu parente. Segundo a Diocese de Santo André, em São Paulo, a associação do santo às causas impossíveis está relacionada a relatos de Santa Brígida da Suécia, que afirmou ter recebido uma recomendação de Jesus para recorrer à intercessão de São Judas em situações de dificuldade.
A tradição se consolidou entre os católicos e fez do apóstolo um dos santos mais procurados por pessoas que enfrentam problemas considerados difíceis de solucionar.
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