
A primeira morte por hantavírus em 2026 em Minas, confirmada neste domingo (10), pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), reforça o alerta contra a grave doença. A cepa do vírus é transmitida por roedores.
Os reservatórios naturais deste vírus são os roedores silvestres. Esses animais podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer, eliminando-o no ambiente através da urina, saliva e fezes.
A contaminação de humanos acontece principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas dos animais. As infecções geralmente ocorrem quando o vírus é transportado pelo ar a partir da urina, fezes ou saliva de um roedor.
Como ocorre a transmissão?
A forma mais comum de contágio humano não é o contato direto, mas sim a inalação. Quando as excretas - resíduos metabólicos tóxicos ou desnecessários eliminados pelo animal - dos roedores secam, elas podem se misturar à poeira. Ao varrer ou movimentar essa poeira, formam-se aerossóis que, se inalados, levam o vírus diretamente aos pulmões.
Outras formas de transmissão incluem mordidas ou contato do vírus com escoriações na pele, tocar os olhos, boca ou nariz com as mãos contaminadas e transmissão entre pessoas (rara).
O tempo entre o contato e o surgimento dos primeiros sinais é longo, variando de uma a cinco semanas, podendo chegar a até 60 dias em casos excepcionais.
Sintomas e as fases da doença
O hantavírus pode causar duas doenças graves. No Brasil e nas américas, se apresenta na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), segundo o Ministério da Saúde. Os sintomas mais comuns são fadiga, febre e dores musculares, seguidas de dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais.
Conforme a pasta, nas Américas a hantavirose se manifesta sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
A segunda doença mais comum no mundo causada pelo hantavírus é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS, em inglês) - mais comum na Europa e na Ásia. Ela é mais grave e afeta principalmente os rins. Os sintomas posteriores podem incluir pressão arterial baixa, hemorragia interna e insuficiência renal aguda.
Como prevenir?
A prevenção do hantavírus baseia-se na utilização de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores silvestres e suas excretas (resíduos eliminados do organismo). Segundo o Ministério da Saúde, as medidas de controle devem conter ações que impeçam a aproximação dos roedores:
- Manter o terreno em volta de casas e armazéns sempre roçado e livre de entulhos.
- Estocar alimentos em recipientes fechados e à prova de roedores.
- Ao limpar locais que ficaram fechados por muito tempo (galpões, porões ou casas de campo), não varra a seco. O ideal é abrir as janelas para ventilar e umedecer o chão com água sanitária ou desinfetante antes de realizar a limpeza, evitando que a poeira suba.
Como é o tratamento?
Não existe um tratamento específico para as infecções por hantavírus. Por tratar-se de uma doença aguda e de rápida evolução, a orientação é de que os casos sejam notificados em até 24h tanto para as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, quanto para o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).
Morte de hantavírus em Minas
O paciente que morreu em Minas era um homem de 46 anos, residente de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba. Ele apresentava histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura.
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