Homem matou ex na frente da filha porque recebeu notificação de medida protetiva, diz PCMG
Suspeito de 28 anos foi indiciado por feminicídio qualificado após investigações sobre o crime ocorrido na região Oeste de BH

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu nesta quarta-feira (11) o inquérito que investigou o assassinato de uma mulher de 26 anos, morta a tiros pelo ex-companheiro na região Oeste de Belo Horizonte. A vítima foi atingida com cinco disparos no rosto diante da filha de apenas 5 anos. O suspeito, de 28 anos, foi indiciado por feminicídio qualificado e pode pegar até 40 anos de prisão.
Segundo a PCMG, o homem teria se enfurecido ao ser notificado sobre uma medida protetiva em favor da vítima. Na véspera do Ano Novo, por volta das 7h, o homem invadiu a residência no bairro Barão Homem de Melo pulando o muro e entrando por uma janela semiaberta. Antes de alcançar a ex-companheira, ele intimidou uma prima da vítima e roubou seu celular para impedir qualquer pedido de socorro imediato.
Ao entrar no quarto onde a mulher estava com a filha, o agressor proferiu insultos e disparou cinco vezes contra o crânio da vítima. "A menina presenciou tudo, ficou pálida, assustada e manchada de sangue", relatou a delegada Ariadne Luiz Coelho.
Após o crime, o suspeito fugiu, mas continuou a aterrorizar a família e amigos da vítima, chegando a rondar a residência e ameaçar uma amiga da vítima, a quem culpava pelo término do relacionamento.
Ainda conforme as investigações, o histórico do casal, que durou sete anos, era marcado por agressões constantes que escalaram de hematomas escondidos por roupas longas a episódios de violência em festas familiares e agressões contra a avó da vítima e a própria filha.
A prisão do suspeito ocorreu 22 dias após o crime, em 22 de janeiro, em uma zona rural de Mateus Leme, na Grande BH. Na ocasião, o homem soltou um cão pastor alemão contra os policiais e tentou se esconder dentro de uma geladeira em um canil antes de ser contido pela equipe do Departamento de Investigações Especializadas (DEESP).
O suspeito admitiu o crime, mas tentou descredibilizar a vítima, alegando que era ameaçado por ela e negando que a execução tivesse ocorrido na presença da filha. Apesar do relato, a PC refutou a versão do homem por meio de escutas especializadas com a criança.
Além de passagens por tráfico de drogas, roubo, porte ilegal de arma e corrupção de menores, o homem já possuía registros de violência doméstica contra outra ex-companheira. Ele segue detido no Ceresp Gameleira, onde aguardará o julgamento.
"Nós sabemos que o feminicídio conta com uma pena em abstrato de 20 a 40 anos. Nesse caso em específico, ele ainda tem uma possibilidade de aumento dessa pena de um terço até até a metade, porque ele praticou tudo isso na frente de uma criança descendente", concluiu a delegada.
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