Ação penal

Homem vira réu por feminicídio de estudante encontrada morta em apartamento na Savassi

Justiça recebeu denúncia pela morte de Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos; acusado está preso desde maio e teve prisão preventiva mantida

Do HOJE EM DIA
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 14/09/2026 às 10:01.Atualizado em 14/09/2026 às 12:21.
Jovem de 22 anos foi encontrada morta no apartamento onde morava, na Savassi, em fevereiro deste ano; ex-companheiro virou réu por feminicídio (PCMG/Reprodução)
Jovem de 22 anos foi encontrada morta no apartamento onde morava, na Savassi, em fevereiro deste ano; ex-companheiro virou réu por feminicídio (PCMG/Reprodução)

Um homem de 45 anos virou réu pelo feminicídio da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, encontrada morta no apartamento onde morava, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri - Sumariante da capital, recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e manteve a prisão preventiva do acusado.

Com o recebimento da denúncia, teve início a ação penal. Ele está preso desde 15 de maio e terá dez dias para apresentar defesa. Giovanna foi encontrada morta por uma amiga no dia 9 de fevereiro deste ano.

O caso chegou a ser tratado inicialmente como possível suicídio, já que caixas de medicamentos foram encontradas espalhadas pelo apartamento e a jovem tinha histórico de depressão. A investigação, no entanto, mudou de rumo após o laudo de necropsia apontar que Giovanna morreu por asfixia mecânica decorrente de sufocação direta, com obstrução das vias aéreas por ação externa. Exames toxicológicos também foram considerados incompatíveis com a hipótese de overdose.

A denúncia do MPMG, apresentada na última quinta-feira (10), acusa ele de feminicídio por motivo torpe, com emprego de meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Segundo o Ministério Público, o relacionamento entre os dois começou em outubro de 2025 e teria passado a ser marcado por comportamento controlador, violento e possessivo do acusado.

Câmeras ajudaram na investigação

Imagens do circuito de segurança do condomínio foram utilizadas para reconstruir os acontecimentos. Os registros mostram o homem deixando o prédio na manhã em que Giovanna foi encontrada morta. Conforme a investigação, uma testemunha também indicou que ninguém entrou no apartamento entre a saída dele e a chegada da amiga que encontrou o corpo.

Em mensagens de áudio enviadas a uma amiga de Giovanna, o acusado teria afirmado que a estudante morreu em seus braços enquanto os dois dormiam. A Polícia Civil também investigou a possibilidade de que a cena encontrada no apartamento tenha sido manipulada para sustentar a versão de suicídio.

Durante a apresentação do caso, em maio, a delegada Ariadne Luiz Coelho, titular do Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios, destacou que o histórico de saúde mental da vítima não poderia encobrir indícios de uma morte violenta. “Essas mulheres que têm algum tipo de sofrimento psíquico, que têm momentos de depressão, isso não pode ser utilizado para invisibilizar mortes de mulheres violentas”, afirmou à época.

Relação e patrimônio entraram na apuração

Segundo as investigações, o acusado começou a permanecer no apartamento pouco tempo depois do início do relacionamento, levou pertences para o imóvel e chegou a transferir contas para o próprio nome. Testemunhas também relataram mudanças no comportamento de Giovanna, incluindo afastamento de familiares e amigas.

A Polícia Civil apurou ainda uma possível motivação financeira. A estudante possuía cerca de R$ 200 mil em uma conta bancária, provenientes da venda de um imóvel herdado após a morte do pai, além do próprio apartamento na Savassi, também recebido como herança.

O comportamento do réu depois da morte também foi analisado pelos investigadores. Conforme divulgado pela Polícia Civil em maio, ele não acionou as forças de segurança e, posteriormente, ajuizou uma ação de reconhecimento de união estável pós-morte.

A investigação também levantou registros anteriores envolvendo o homem, entre eles denúncias de importunação sexual e suspeitas de violência psicológica contra outras mulheres.

Leia também:

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por