Indígenas atingidos pelo rompimento da barragem em Brumadinho protestam na sede da Justiça Federal
Novas testemunhas ligadas às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho são ouvidas nesta sexta-feira

O segundo dia de audiências de instrução e julgamento do caso Brumadinho, nesta sexta-feira (27), em Belo Horizonte, é marcado por novas manifestações na porta da Justiça Federal. Indígenas da etnia Pataxó-Hã-Hã-Hãe - atingidos pelo rompimento da barragem de Córrego do Feijão - protestam em frente ao prédio da avenida Álvares Cabral, na região Centro-Sul
A Aldeia Naô Xohã se situava às margens do Rio Paraopeba. A lama que escoou pelo manancial prejudicou as atividades produtivas e impossibilitou rituais, além de criar divergências sobre como lidar com as consequências da tragédia. A aldeia se dividiu e muitos buscaram outros rumos.
De acordo com o profissional de Relações Institucionais de Brumadinho, Silas Fialho, de 39 anos, as manifestações serão realizadas durante todos os dias de julgamento. “A ideia é não esvaziar, para que toda a população, toda a imprensa e todo mundo acompanhe um pouco desta trajetória”, afirma Fialho.
Ele é parente de pessoas que morreram no rompimento da barragem. “Perdi meu primo Flaviano Fialho; perdi também minha tia Marina de Lourdes Ferreira e dezenas de amigos. Eu também sou ex-funcionário da mina de Córrego do Feijão e prometi para eles que a justiça é primordial, sem justiça não há reparação”.
Julgamento do Caso Brumadinho
Três pessoas ligadas às vítimas e aos atingidos pelo rompimento da barragem da Vale devem ser ouvidas nesta sexta. O primeiro dia de julgamento ocorreu na segunda-feira (23), sendo marcado por depoimentos emocionantes de testemunhas de acusação.
Para hoje, estão previstos os depoimentos de Nayara Cristina Dias Porto (Presidente da Avabrum e viúva de Everton Lopes Ferreira), Juliana Cardoso Gomes Silva (nora da vítima Levi Gonçalves da Silva) e Josiana de Souza Resende (irmã de Juliana Creizinar de Resende).
Ao todo, estão previstas 76 sessões. O caso envolve 17 réus e mais de 180 testemunhas, em um esforço para reconstruir os fatos que levaram à morte de 272 pessoas e ao colapso ambiental da bacia do Rio Paraopeba. A previsão é que o processo seja encerrado até maio de 2027.
* Estagiário, sob supervisão de Renato Fonseca
Leia também:
Desembargador que absolveu homem de 35 anos casado com menina de 12 é afastado pelo CNJ
Justiça ouve novas testemunhas ligadas às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho