Insolação, desidratação, vômito, diarreia... Calor extremo aumenta busca por socorro nas UPAs de BH
Só nos últimos três dias, 160 pessoas com sintomas relacionados às altas temperaturas deram entrada nas unidades da rede SUS-BH
A onda de calor que atinge Belo Horizonte aumentou a busca por socorro na rede municipal de urgência e emergência. De 26 a 28 de dezembro - dias de recorde de temperatura na capital, com termômetros acima dos 35°C - 160 atendimentos possivelmente relacionados ao calor foram registrados apenas nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
O Hoje em Dia analisou dados disponibilizados pela prefeitura e constatou salto de 30% na assistência a pessoas com sintomas de insolação, desidratação, náuseas, vômitos e diarreias. De 1° a 25 de dezembro, a média era de 40 atendimentos relacionados ao calor por dia. Entre sexta-feira (26) e domingo (28), a média passou para 53, com pico de 58 no sábado (27).
A PBH informou que monitora os atendimentos na rede SUS e que as equipes foram "sensibilizadas" quanto à elevação das temperaturas. "Os centros de saúde e as UPAs estão preparados para atender aos usuários e estão com estoques abastecidos de medicamentos e insumos", informou a administração municipal.
Risco do calor extremo
A onda de calor elevou as temperaturas não só em Belo Horizonte, mas em outras cidades do Sudeste, como Rio de Janeiro e São Paulo. Alertas de grande perigo, o que significa temperaturas 5°C acima da média, têm sido emitidos diariamente pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
De acordo com o clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento dos Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Luiz Fernando Penna, o calor extremo pode provocar a chamada falência térmica do corpo. "Essa é uma emergência médica caracterizada pela confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40° C".
Se o corpo apresentar esses sinais e sintomas, é necessário buscar atendimento médico de imediato. Na avaliação do médico do Sírio Libanês, o impacto do calor na saúde é subestimado.
"Muitas pessoas acreditam que causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais, que incluem desde quedas de pressão até falência térmica", alertou.
Dentre as recomendações, além da hidratação, é preciso se proteger, evitar a exposição entre 10h e 16h, assim como a prática de exercícios físicos, usar roupas leves e claras e priorizar ambientes ventilados.
Trabalhadores que não podem evitar sair no calor extremo devem fazer pausas frequentes nas horas mais quentes, recomenda.
* Com informações da Agência Brasil
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