INTRUSOS NA PISTA

Invasão de faixa exclusiva para ônibus gera 26 multas a cada hora em BH

Irresponsabilidade ao volante prejudica a mobilidade e aumenta o risco de acidentes

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 30/03/2026 às 07:00.
 (Lucas Prates/Arquivo Hoje em Dia)
(Lucas Prates/Arquivo Hoje em Dia)

Nada menos que 26 motoristas são flagrados por hora invadindo faixas ou vias exclusivas de ônibus em Belo Horizonte. O desrespeito à sinalização resultou em 235.085 multas ao longo de 2025, conforme balanço da BHTrans. A irresponsabilidade ao volante prejudica a mobilidade e aumenta o risco de acidentes.

O número elevado se deve à fiscalização eletrônica. Atualmente, BH tem 58 km de pistas do Move ou faixas exclusivas. O condutor que invade o espaço reservado para os coletivos comete uma infração gravíssima. Além do prejuízo financeiro de R$ 293,47, ele perde sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Para o especialista em segurança no trânsito e professor do Cefet-MG, Agmar Bento Teodoro, a disparada de autuações confirma que os motoristas ainda não respeitam as faixas como deveriam. Contudo, o docente também destacou o papel da fiscalização, que “pegou no pulo” um número significativo de infratores. 

“Por um lado é preocupante pelo desrespeito, mas por outro é positivo que os infratores estejam sendo identificados”, afirma. 

Segundo ele, as faixas exclusivas são vitais para a mobilidade urbana, pois diminuem o tempo de viagem dos passageiros que dependem do transporte público e aumentam a segurança ao separar veículos de tamanhos diferentes.

Nova fiscalização eletrônica em até 4 meses

O foco da fiscalização agora se volta para o novo corredor exclusivo formado pelas avenidas João Pinheiro e Cristóvão Colombo, na região Centro-Sul. Quem passa pelo trecho já percebe a instalação de quatro novos equipamentos de fiscalização eletrônica.

Apesar da presença dos equipamentos, infratores ainda não são multados. De acordo com Leonardo Rios, gerente de Análise e Processamento de Infrações da BHTrans, a previsão é que os aparelhos entrem em operação em um prazo de “três a quatro meses”.

“O equipamento é colocado fisicamente logo após a via ser qualificada como exclusiva para já gerar um efeito de mudança de comportamento no cidadão, mas a operação não é imediata”, explica Rios. 

O gerente da BHTrans explica que o processo de ativação depende de etapas técnicas e burocráticas, que incluem a energização por parte da Cemig e verificações rigorosas de qualidade. A equipe técnica também avalia se o radar está na altura correta e se a imagem capturada é nítida o suficiente para identificar o veículo sem margem para contestações.

“Temos que enquadrar exatamente dentro do que a lei fala, verificando se a legenda de ‘ônibus’ no chão aparece na imagem para caracterizar a infração. Só após todos esses testes de conformidade é que programamos a entrada oficial em operação”, acrescenta Leonardo Rios.

No trecho, circulam 19 linhas de ônibus que transportam cerca de 5,6 mil pessoas por sentido apenas no horário de pico da manhã, com uma frequência que supera cem coletivos por hora.

As regras de circulação nessas vias são específicas: nas pistas da direita, próximas às calçadas, apenas ônibus e táxis podem trafegar de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h e das 17h às 19h30. Fora desses intervalos, o trânsito é liberado para os demais veículos.

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