3° dia de Greve

'Já deveria ter sido resolvido há muito tempo', diz gari sobre reivindicações da classe em BH

Classe também quer garantir que nenhum funcionário que participou da greve seja demitido após a resolução

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 21/01/2026 às 11:40.Atualizado em 21/01/2026 às 13:58.
Audiência na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) em BH será realizada às 15h para discutir reivindicações dos garis (Maurício Vieira/ Hoje em Dia)
Audiência na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) em BH será realizada às 15h para discutir reivindicações dos garis (Maurício Vieira/ Hoje em Dia)

Com a paralisação da coleta de lixo completando o terceiro dia em Belo Horizonte, os garis da capital mineira aguardam o desfecho de reuniões cruciais marcadas para a tarde desta quarta-feira (21). Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho, incluindo caminhões em bom estado, equipes completas (com quatro trabalhadores) nas rotas e mais segurança durante a coleta.

“Isso já deveria ter sido resolvido há muito tempo. São coisas que vêm gerando reclamações constantes, e mesmo após passarmos todas as queixas, elas não foram concluídas. Eles disseram o que fazer, mas agora, com a greve, vamos ver se acerta tudo”, disse um dos garis que estava na reunião dos trabalhadores e preferiu não ser identificado, com medo de represálias. 

Entre as principais reclamações dos trabalhadores estão o estado de conservação dos caminhões de coleta, a necessidade de um plano de saúde eficiente e a contratação imediata de, pelo menos, 40 novos profissionais para aliviar a sobrecarga do contingente atual. 

A pauta de reivindicações também inclui o pagamento do vale-refeição até o dia 1º de cada mês e a regularização integral dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Um dos líderes do movimento, Tales Marcelo Alves afirma que um dos entraves para o fim da greve é a inclusão de uma cláusula que irá garantir que não haverá punições a nenhum trabalhador que aderiu à paralisação.

“Somente com o atendimento a essas condições nós voltaremos ao trabalho. No entanto, em relação à demissão em massa, que é uma das cláusulas ali, nós queremos retirar essa cláusula e incluir que não haverá demissão de nenhum funcionário que participou da greve”, destacou. 

Os trabalhadores participarão de uma audiência nesta quarta-feira (21), às 15h, na sede Ministério Público do Trabalho (MPT), no bairro Funcionários, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Foram representantes da Prefeitura de Belo Horizonte, da SLU e da empresa responsável pelos contratos dos funcionários.

Empresa responsável pela execução dos serviços de limpeza, a Sistema Serviços Urbanos (Sistemma) informou ter sido surpreendida pela paralisação, classificada por ela como "irregular" e  "legitimidade sindical". Segundo ela, a legislação exige comunicação prévia mínima de 72 horas, o que não teria sido respeitado. 

Além disso, a empresa alega a atuação de "terceiros" sem vínculo empregatício. "Essas condutas são especialmente graves porque podem induzir trabalhadores ao erro, expondo-os a riscos trabalhistas, inclusive à possibilidade de desligamentos, além de gerar prejuízos diretos à continuidade de um serviço público essencial, afetando toda a população de Belo Horizonte".

A Sistemma informou ter adotou "medidas judiciais cabíveis", com o devido acionamento do Tribunal Regional do Trabalho. A polícia também foi comunicada.

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