‘Já matou uma galinha?’: preocupada com as unhas, suspeita de matar idosos em BH choca a polícia
Segundo delegado chefe do Departamento de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), diarista descreveu atos violentos com riqueza de detalhes e nitidez

O comportamento da diarista suspeita de praticar um duplo latrocínio em um apartamento de luxo no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, chocou os policiais e peritos responsáveis pelo caso. O delegado-chefe da Divisão Especializada em Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), João Prata afirmou nesta terça-feira (14) que a suspeita demonstrou extrema frieza e dissimulação ao longo de todo o processo de investigação e, principalmente, durante a reconstituição do crime.
Segundo o delegado, a investigada apresentou versões diferentes dos fatos durante a prisão, na reconstituição e no segundo interrogatório. Apesar das mudanças na narrativa, ela teria demonstrado tranquilidade ao relatar os acontecimentos. “O que nos chocou durante a reconstituição foi que ela perguntou para a perita se ela já teria matado uma galinha”, afirmou João Prata.
Conforme o delegado, a pergunta foi feita quando a perita tentava entender como os golpes haviam sido desferidos contra as vítimas. Ao mesmo tempo em que descrevia parte da dinâmica do crime, a suspeita demonstrava preocupação com o cabelo e com as unhas.
“Ela narra todos os fatos, lembra de tudo nitidamente. No que tange a quem foi a primeira vítima, o porquê de ter atacado e a sequência cronológica, ela começa a dar uma de desentendida”, disse.
Para a Polícia Civil, não há dúvidas sobre a autoria do crime nem sobre a responsabilidade da investigada pelos assassinatos.
A diarista foi indiciada por dois crimes de latrocínio (roubo com resultado morte) na última segunda-feira (13), quando a Polícia Civil concluiu o inquérito. O crime ocorreu em 29 de junho, e a investigada foi presa dois dias depois, em Itabira, na região Central de Minas.
Em nota, a defesa da diarista informou que tomou conhecimento do Relatório Final apresentado pela Autoridade Policial no inquérito policial e que continará atuando "de forma técnica, séria, respeitosa e estritamente pautada pelos fatos formalizados nos autos."
O comunicado diz ainda que, "por respeito à investigação, às instituições e ao próprio processo, a Defesa não fará qualquer antecipação de teses ou juízo de valor sobre o mérito, limitando-se a se manifestar nos autos e nos momentos processuais adequados."
Relembre o crime
Cláudio Atala, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira, de 76, foram mortos com mais de 40 facadas. As investigações indicam que o crime aconteceu na tarde de 29 de junho, uma segunda-feira. A suspeita do crime foi presa dois dias depois em um hotel em Itabira, na região Central.
A perícia da Polícia Civil constatou a presença de calmantes e sedativos nas amostras de sangue do casal de idosos. A investigação, que apura o crime de latrocínios, aponta que a suspeita, que trabalhava como diarista para o casal, diluiu os comprimidos em copos de suco servidos às vítimas antes de esfaqueá-las.
Segundo a perícia inicial, após ingerirem o suco, os idosos começaram a passar mal e a perder os sentidos, momento em que foram iniciados os ataques com uma faca da própria residência.
Os corpos foram encontrados na tarde de terça-feira (30). No local do crime, os peritos constataram o arrombamento de uma gaveta onde eram guardadas semijóias. Os celulares das vítimas também foram roubados.
Imagens de câmeras de segurança flagraram a investigada entrando no prédio com uma vestimenta e saindo do local usando roupas de Maria Clotilde.
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