A Justiça de Minas converteu em preventiva a prisão de um homem de 28 anos, preso ao deixar uma adolescente de 15 anos dirigir o carro que atropelou duas crianças em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. O acidente, ocorrido no último domingo (7), causou a morte de um menino de 2 anos e deixou outro, de seis, ferido.
Na decisão, a juíza Anna Carolina Goulart Martins e Silva considerou que o flagrante foi legal e destacou que o caso apresenta “gravidade concreta” e risco de reiteração da conduta. A decisão menciona o depoimento da adolescente. Segundo ela, esta foi a segunda vez que Daniel a colocou para dirigir.
A juíza também ressaltou que a soltura do suspeito poderia gerar “risco à ordem pública”, especialmente diante da forte comoção social, o que ficou evidente pelas agressões de populares logo depois do acidente.
“Embora o caso concreto não trate de embriaguez, o extremo desrespeito às normas básicas, ou seja, permitir a direção a adolescente e inabilitada, levou a um resultado letal contra vítimas vulneráveis, configurando análogo desdém pela vida alheia e uma gravidade concreta que, assim como no entendimento jurisprudencial mencionado, exige a custódia cautelar para acautelar o meio social”, escreveu a juíza.
O homem está internado sob custódia policial no Hospital Risoleta Neves. A juíza determinou que o suspeito deve ser levado ao presídio assim que o laudo de alta média for emitido.
Relembre o caso
Segundo a Polícia Militar (PM), o caso ocorreu por volta de 21h15 de domingo (7). A jovem conduzia um veículo Gol, de cor branca, e o proprietário do veículo estava no banco do passageiro. A mãe da adolescente também estava dentro do carro.
Conforme testemunhas, o carro perdeu força ao tentar subir a rua Maringá e desceu desgovernado atingindo um muro e atropelando as duas crianças que estavam no passeio. O menino de 6 anos ainda tentou correr, mas foi atingido. A criança de 2 anos ficou presa sob o carro.
O Samu foi acionado e constatou a morte da criança mais nova no local. O menino de 6 anos teve ferimentos na cabeça, foi levado pela família para a UPA São Benedito, e permanece consciente em observação.
O dono do carro alega ter sido agredido por populares após o acidente. Ele ficou com lesões no joelho e hematomas e foi levado ao Hospital Risoleta Neves. A PM não conseguiu identificar quem o agrediu. O homem foi preso e será investigado por deixar que a menor dirigisse.
O veículo, que estava com o licenciamento em atraso e com vidros laterais quebrados, foi removido ao pátio credenciado. A perícia esteve no local, constatou danos na traseira do carro e ruptura de estruturas construídas no passeio por moradores.
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