Nesta sexta

Justiça ouve novas testemunhas ligadas às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho

Sessão será retomada com mais três depoimentos; processo pode ser concluído até o fim de 2027

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 27/02/2026 às 14:45.Atualizado em 27/02/2026 às 14:50.
Processo começou nesta segunda-feira (23) e têm previsão de conclusão em maio de 2027 (Hudson Alves/ TRF6)
Processo começou nesta segunda-feira (23) e têm previsão de conclusão em maio de 2027 (Hudson Alves/ TRF6)

Ocorre nesta sexta-feira (27) o segundo dia de audiências de instrução e julgamento do caso Brumadinho na Justiça Federal, em Belo Horizonte.Três pessoas ligadas às vítimas e aos atingidos devem ser ouvidas. O primeiro dia de julgamento ocorreu na segunda-feira (23), sendo marcado por depoimentos emocionantes de testemunhas de acusação.  

Para hoje, estão previstos os depoimentos de Nayara Cristina Dias Porto (Presidente da Avabrum e viúva de Everton Lopes Ferreira), Juliana Cardoso Gomes Silva (nora da vítima Levi Gonçalves da Silva) e Josiana de Souza Resende (irmã de Juliana Creizinar de Resende).

Ao todo, estão previstas 76 sessões. O caso envolve 17 réus e mais de 180 testemunhas, em um esforço para reconstruir os fatos que levaram à morte de 272 pessoas e ao colapso ambiental da bacia do Rio Paraopeba. A previsão é que o processo seja encerrado até maio de 2027. 

Na segunda (23), a sessão na capital mineira começou com o forte desabafo de Kenya Paiva Silva Lamounier. Ao relembrar a perda do marido, Adriano Aguiar Lamounier, a testemunha se emocionou e clamou por justiça. 

“Meu marido foi minerado. Grande parte das pessoas foi minerada, como a Vale faz nas minas. Foi um crime horrendo. Nos primeiros dias eu tinha certeza que meu marido estava vivo. Depois, começamos a rezar para conseguir pelo menos um velório”, disse Kenya. 

Desfecho pode ser antecipado 

O processo criminal que apura as responsabilidades pela tragédia de Brumadinho pode chegar a uma conclusão na primeira instância até o fim de 2026 - pelo menos cinco meses antes da previsão inicial da Justiça Federal (maio de 2027). A informação foi confirmada pelo diretor do Foro da Seção Judiciária de Minas Gerais (SJMG), o juiz federal José Carlos Machado Júnior, que condicionou a velocidade do processo à dinâmica da defesa e do Ministério Público Federal durante cada audiência.

“A dinâmica das provas, da coleta e da prova testemunhal depende muito dos advogados, das suas estratégias e do Ministério Público. Dependendo da quantidade de perguntas, as audiências poderão ser realmente encurtadas", explicou o juiz.

O que dizem as empresas?

Entre os acusados estão as empresas Vale S.A. e TÜV SÜD, além de 15 ex-executivos e funcionários vinculados às companhias, que respondem por crimes ambientais e homicídios. Por meio de nota, a TÜV SÜD prestou solidariedade às vítimas e famílias e disse estar “convencida” de que a empresa não possui responsabilidade legal “pelo acidente”. Segundo eles, “a causa técnica do acidente permanece incerta”. Ainda informaram que, conforme avaliação própria, a emissão das declarações de estabilidade pela TÜV SÜD Bureau cumpriu as leis e regulamentos.

Já a Vale, também em nota, reafirmou o respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reiterou o compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa informou não comentar ações judiciais em andamento.

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