
As primeiras testemunhas do caso sobre a morte do gari Laudemir Fernandes, que perdeu a vida após levar um tiro disparado pelo empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, serão ouvidas nesta terça-feira (25) no 1º Tribunal do Júri, em Belo Horizonte.
Serão oito testemunhas de acusação neste terça. Na quarta (26), estão previstos os depoimentos de seis testemunhas de defesa e, possivelmente, o interrogatório do réu. Não há previsão de término das sessões.
Renê foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, ameaça e porte ilegal de arma de fogo. A pena total pode chegar a 35 anos.
A defesa do empresário juntou ao processo diplomas e certificados com o objetivo de “demonstrar a inveracidade de notícias na imprensa” sobre sua formação acadêmica e vínculos institucionais. Entre os documentos estão certificados de instituições de ensino e de uma empresa do ramo de bebidas.
Relembre o caso
Segundo a denúncia do Ministério Público (MP, no dia do crime, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior saiu de casa no bairro Vila da Serra, em Nova Lima, com destino ao trabalho, em Betim, com uma pistola semiautomática Glock, calibre .38, dentro do carro.
Ao atingir o cruzamento das ruas Modestino de Souza e Jequitibá, no bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte, o homem se irritou com a retenção do trânsito no local, devido à passagem de um caminhão da coleta de lixo.
Mesmo com a indicação dos garis de que era possível seguir o trajeto e passar com o carro pela via, o denunciado, exaltado, apontou a arma em direção à motorista do caminhão e a ameaçou.
Ainda segundo a denúncia do MP, inconformado com a lentidão do trânsito e “evidenciando o seu notório desprezo pelos trabalhadores”, o denunciado fez um disparo que atingiu a região abdominal do gari Laudemir.
A vítima chegou a ser socorrida, mas deu entrada no atendimento médico já sem vida. O empresário foi localizado e preso horas depois do crime, em uma academia da região Oeste da Capital.
Em setembro deste ano, a Justiça de Minas Gerais tornou o empresário réu com a aceitação da denúncia. De acordo com o MP, o denunciado havia pedido à esposa, delegada da Polícia Civil, que entregasse outra arma, não usada no crime, de modo a induzir em erro a perícia oficial.
A denúncia apontou que o homicídio ocorreu por motivo fútil, empregou recurso que dificultou a defesa da vítima e em via pública.
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