Transfobia

Justiça torna réus os dois suspeitos de espancar Alice Martins Alves, que morreu dias depois em BH

Decisão marca avanço no caso que expôs violência transfóbica na Savassi; processo segue sob sigilo

Do HOJE EM DIA
portal@hojeemdia.com.br
Publicado em 10/12/2025 às 17:52.Atualizado em 10/12/2025 às 17:56.
 (Reprodução/Redes sociais)
(Reprodução/Redes sociais)

A Justiça mineira aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réus os dois homens acusados de agredir e matar Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos, espancada após uma perseguição na Savassi, em outubro. A decisão é do 1º Tribunal do Júri Sumariante e determina o início da ação penal do caso, que tramita em segredo de Justiça.

Os réus foram denunciados por feminicídio e estão em liberdade. Eles são citados para apresentar uma resposta em um prazo de 10 dias.

Relembre o caso

As investigações da Polícia Civil apontam que uma suposta dívida de R$ 22 teria servido apenas como estopim para o ataque. Na noite de 23 de outubro, Alice consumiu em uma lanchonete na Savassi e afirmava ter pago a conta. Mesmo que houvesse pendência, segundo a delegada Iara França, os garçons deixariam de receber apenas R$ 2,20, referentes aos 10% de serviço - valor totalmente insuficiente para justificar a violência.

A Polícia Civil concluiu que o que motivou o ataque foi transfobia. Alice foi perseguida por cerca de 200 metros, cercada e agredida de forma contínua, sem que os suspeitos tentassem pegar seus pertences ou cobrassem o suposto valor devido.

A vítima, desorientada e alcoolizada, repetia que havia quitado a conta. Ela sofreu lesões graves, incluindo costelas quebradas e perfuração intestinal, e morreu em 9 de novembro, após dias de internação.

A corporação destacou que não há indícios de participação de donos ou outros funcionários, apenas dos dois garçons envolvidos na abordagem. Eles foram indiciados por feminicídio.

A polícia também pediu que o Ministério Público investigue possível negligência médica, já que Alice buscou atendimento múltiplas vezes antes da internação final e não teve a gravidade reconhecida. Outro ponto em apuração é a comunicação tardia do óbito: a Polícia Civil só foi oficialmente informada no dia 10 de novembro, data do sepultamento.

Leia mais: 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por