'SEPARAÇÕES E RECONCILIAÇÕES'

Mãe de capitã morta diz à PM que a filha estava em um relacionamento abusivo com suspeito do crime

O sargento da PM marido da vítima foi preso em flagrante

Leandro Alves*
@Leandroalves04
Publicado em 21/07/2026 às 14:42.Atualizado em 21/07/2026 às 15:46.
O vídeo mostra o homem transportando a mulher já desfalecida até o carro. Ela chegou morta no hospital Odilon Behrens (Polícia Civil / Divulgação)
O vídeo mostra o homem transportando a mulher já desfalecida até o carro. Ela chegou morta no hospital Odilon Behrens (Polícia Civil / Divulgação)

A mãe da capitã da Polícia Militar (PM), morta na noite dessa segunda-feira (20), relatou à corporação que a filha estava em um relacionamento abusivo. De acordo com a mulher, a relação do casal era marcada por sucessivas separações e reconciliações. Principal suspeito do crime, o marido da vítima - que é sargento da PM - foi preso em flagrante no mesmo dia.

Aos policiais, a mãe da militar ainda afirmou que, ao longo de quase 8 anos de relacionamento, o homem fazia "manipulações emocionais". Em uma das situações, o suspeito teria dito à esposa que ela deveria sentir-se privilegiada por ter ele ao lado. Em outra, o homem teria chamado a vítima de “vagabunda”. 

Na manhã desta terça (21), a Polícia Civil (PC) teve acesso às câmeras de segurança do edifício no bairro Palmares, região Nordeste de BH, onde morava o casal. O vídeo mostra o homem levando a mulher já desfalecida até um carro.

A gravação mostra que o suspeito demorou quatro minutos para colocar a mulher no veículo, um Jeep Renegade. Depois, ele arranca o carro com a porta do passageiro aberta. O horário registrado no circuito interno indica que o militar deixou o prédio às 21h21. A vítima deu entrada no Hospital Odilon Behrens por volta das 21h35. Lá, a equipe médica confirmou o óbito imediato e apontou que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada à unidade de saúde.

Contradições e investigação

Funcionários do hospital acionaram a Polícia Militar após desconfiarem da versão apresentada pelo marido, que alegou que a esposa havia caído de uma escada, uma vez que o corpo da mulher apresentava hematomas e lesões corporais incompatíveis com a explicação dada pelo militar.

Em depoimento registrado no Boletim de Ocorrência, o suspeito afirmou que ambos participaram de uma festa no imóvel e consumiram bebidas alcoólicas e ecstasy. Ele alega que praticaram atos sexuais consensuais com agressões físicas e que a mulher teria sofrido uma queda por volta do meio-dia, mas recusado atendimento médico. Segundo o relato, ambos foram dormir às 15h e ele só teria percebido a ausência de resposta da vítima às 21h.

Advogado do suspeito, Gustavo Nepomuceno afirmou que aguarda o andamento do processo. “A defesa teve contato com ele, estamos acompanhando o início das investigações, está muito precoce ainda. Para melhor entendimento, aguardar a perícia feita, o deslinde das investigações, para poder dar uma resposta mais contundente e ver o que vai dar o desdobramento da investigação”, declarou.

*Estagiário, sob a supervisão de Renato Fonseca

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