VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Mais de 2,5 mil mulheres foram vítimas de feminicídio ou tentativa de assassinato em MG desde 2019

Crime registrado no Dia da Mulher na Grande BH reforça alerta de especialistas sobre escalada de violência dentro de casa

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 09/03/2026 às 14:48.Atualizado em 09/03/2026 às 15:30.

Nada menos que 2.576 mulheres foram vítimas de feminicídio consumado ou tentado em Minas entre 2019 e 2025, segundo levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), com base em registros policiais. Os números indicam que o crime raramente ocorre de forma repentina e costuma ser o resultado de uma sequência de atos de violência nas relações íntimas. 

A série histórica também revela que, na maior parte dos anos, as tentativas de feminicídio superam os assassinatos consumados. Em 2024, por exemplo, foram 417 ocorrências, o maior número da série recente, sendo 248 tentativas e 169 assassinatos.

Para especialistas e gestores de políticas públicas, cada tentativa registrada indica que a violência dentro da relação já atingiu um nível extremo e que, sem intervenção institucional, o risco de evolução para o homicídio se torna ainda maior.

Crime no Dia da Mulher

Foi nesse contexto que um caso de violência extrema marcou o Dia Internacional da Mulher, neste domingo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Santa Luzia, uma jovem de 30 anos foi assassinada dentro de casa com 30 golpes de faca. A vítima deixou três filhos.

O suspeito, de 36 anos, fugiu após o assassinato, mas foi localizado e preso nesta segunda-feira (9). De acordo com registros do sistema prisional, ele possui três passagens pelo sistema penitenciário de Minas, entre setembro de 2012 e junho de 2019, quando foi liberado por alvará de soltura concedido pela Justiça.

Violência que se constrói ao longo do tempo

Para pesquisadores da área, a coincidência entre o crime e a data simbólica reforça um padrão recorrente nos casos de feminicídio. Segundo Christiana Dornas, subsecretária da Subsecretaria de Prevenção à Criminalidade, o assassinato costuma ser o ponto final de um ciclo de violências progressivas.

Ela ressalta que o enfrentamento do problema precisa ocorrer antes que a violência chegue ao nível letal. “Por isso, cada vez mais se entende que enfrentar o feminicídio não pode se limitar à resposta policial ou judicial. É preciso agir antes, quando os sinais ainda estão presentes nas relações e nos territórios”, afirma.

Prevenção começa na escola

Segundo a Sejusp-MG, dentre as estratégias adotadas em Minas para prevenir a violência de gênero está o projeto “É na Base!”, criado em 2022. A iniciativa atua em escolas públicas com adolescentes a partir de 14 anos, promovendo rodas de conversa, oficinas, dinâmicas coletivas e apresentações artísticas para discutir temas como respeito, relacionamentos abusivos, empatia e direitos das mulheres. Entre 2022 e 2025, o projeto foi realizado em mais de 30 instituições mineiras.

Na Escola Estadual Laura das Chagas, na região da Serra, em Belo Horizonte, a vice-diretora Ronara Fabiana Lemos Lacerda afirma que o debate tem impacto direto no cotidiano dos estudantes. “Vejo o projeto como uma iniciativa muito importante para nossa escola e para a região, que enfrenta desafios relacionados à violência, inclusive contra a mulher. Ao envolver meninas e meninos em reflexões sobre respeito e convivência, o projeto contribui para prevenir a violência contra a mulher desde a escola e para formar jovens mais conscientes, preparados para construir relações baseadas no respeito”, diz.

O projeto passou a integrar programas da política estadual de prevenção social à criminalidade, conectando-se a iniciativas como Mediação de Conflitos e Fica Vivo!.

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