Mais de 600 cidades mineiras estão em alerta ou sob risco de dengue, chikungunya e zika
Levantamento disponibilizado pelo Estado mostra que as larvas do mosquito transmissor da doença estão concentradas dentro ou ao redor das casas

Nada menos que 606 municípios mineiros estão em situação de alerta ou risco de dengue, chikungunya e zika. É o que aponta o primeiro Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, divulgado nesta terça-feira pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O estudo orienta as ações de combate às doenças transmitidas pelo mosquito. Só neste ano já são 45 mil casos prováveis de dengue.
Conforme os dados disponibilizados pela SES, 819 das 853 cidades participaram do LIRAa, que considera os meses de janeiro, fevereiro e março. O levantamento mostra que 213 municípios apresentaram índice satisfatório: menor ou igual a 0,99% - na prática, a cada 100 imóveis vistoriados pelas equipes de vigilância, um apresentou larvas do Aedes aegypti.
Outras 422 cidades ficaram em situação de alerta (índice entre 1% e 3,9%) e 184 foram classificadas em situação de risco, com índice igual ou superior a 3,9%. A lista de localidades não foi informada. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) foi questionada sobre a participação, mas não houve retorno.
O levantamento é feito por amostragem e realizado quatro vezes ao ano, em ciclos trimestrais. As equipes de saúde vão a casas sorteadas em diferentes regiões das cidades, o que permite identificar onde estão os maiores riscos.
Principais criadouros do mosquito estão dentro ou ao redor das casas
Durante as visitas, os agentes procuram água parada e coletam larvas do mosquito. A partir dessas informações, é calculado o índice de infestação, que indica o nível de risco em cada município.
De acordo com o levantamento, os principais criadouros do mosquito estão dentro ou ao redor das casas. Caixas d’água destampadas, vasos de plantas, pneus e objetos descartados em quintais e terrenos são alguns dos locais mais comuns.
A SES reforça que a forma mais eficaz de combater o mosquito é eliminar esses pontos, com atitudes como manter a caixa d’água bem fechada, evitar água parada em pratos de plantas, descartar corretamente pneus e lixo e limpar calhas e ralos com frequência.
Cenário dentro do esperado para o período sazonal
Segundo a secretaria estadual, o primeiro LIRAa de 2026 indica um cenário dentro do esperado para o período sazonal. O subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, explica que, apesar de 2026 ser um ano endêmico para as arboviroses, o monitoramento contínuo é essencial. “Os dados do LIRAa são utilizados para direcionar as ações de vigilância e combate ao mosquito pelas equipes municipais e estaduais”.
Mais de 50 mil casos de dengue, chikungunya e zika
Além dos 45 mil casos prováveis de dengue, o boletim epidemiológico da SES mostra 7,3 mil de chikungunya e 32 de zika. Segundo o Estado, houve aumento nas últimas semanas, mas "esse comportamento é esperado para o período sazonal da doença".
Ainda assim, os dados mostram uma curva mais baixa e em trajetória de queda nas semanas recentes, reforçando um cenário mais favorável em comparação a anos anteriores. “A redução dos casos é resultado dos investimentos de Minas no enfrentamento às arboviroses, com o uso de tecnologia e inovação. Estamos caminhando dentro do período sazonal com um cenário mais favorável”, afirma o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi.
Segundo o Governo de Minas, cerca de R$ 210 milhões são investidos por ano no enfrentamento às arboviroses.
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