
Minas tem 82.355 motoristas com o exame toxicológico obrigatório vencido. O volume de irregularidades coloca o estado na terceira posição do ranking nacional, atrás de São Paulo, que lidera com cerca de 350 mil condutores pendentes, e do Paraná, com 93 mil. Os dados são da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O cenário mineiro reflete uma tendência observada em todo o país. Mais de 1,1 milhão de motoristas profissionais estão com o teste vencido. Para especialistas a realidade representa um desafio para a segurança viária e fiscalização nas rodovias.
De acordo com Alysson Coimbra, diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), o alto índice de inadimplência com o exame indica um comportamento que pode estar diretamente ligado à dependência química. Para o especialista, o uso de substâncias psicoativas muitas vezes surge como resposta a condições adversas de trabalho.
O diretor aponta que jornadas exaustivas e a privação intencional do sono criam um ambiente de fragilidade emocional. Nesse contexto, condutores buscam nas drogas uma "falsa promessa" de aumento de rendimento.
"Em geral, esse ciclo começa com anfetaminas e pode evoluir para combinações cada vez mais complexas de substâncias psicoativas", aponta Alysson.
Regras do exame toxicológico
O exame toxicológico é obrigatório para motoristas com CNH (Carteira Nacional de Habilitação) nas categorias C, D ou E. A não realização do teste é considerada infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com multa de R$ 1.467,35 e sete pontos na carteira.
Desde dezembro, o exame — que identifica, a partir de fios de cabelo ou pelos, o uso recorrente de drogas nos 90 dias anteriores — passou a ser exigido para candidatos às categorias A e B na primeira habilitação.
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