Desembarcou em MG

'Mancha': aliado do PCC vai responder por tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro

Apontado como peça central de facções, homem capturado na Bolívia foi levado sob forte escolta para presídio em Belo Horizonte

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 17/03/2026 às 17:34.Atualizado em 17/03/2026 às 20:01.
Investigado foi escoltado sob forte esquema de segurança após desembarcar no Aeroporto da Pampulha, em BH (Maurício Vieira/Hoje em Dia)
Investigado foi escoltado sob forte esquema de segurança após desembarcar no Aeroporto da Pampulha, em BH (Maurício Vieira/Hoje em Dia)

Apontado como uma das principais lideranças do tráfico de drogas em Minas e aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC), Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como “Mancha”, foi transferido para o sistema prisional após desembarcar sob forte esquema de segurança no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, nesta terça-feira (17). O chamado recambiamento foi realizado pela Polícia Civil (PC), com apoio da Polícia Federal (PF), após a prisão do investigado na Bolívia.

Segundo a PC, o suspeito responde por tráfico de drogas, organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Ele foi conduzido ao Instituto Médico-Legal (IML) para exames de praxe e, na sequência, teve formalizado o cumprimento do mandado de prisão no Departamento de Operações Especiais (Deoesp), antes de ser encaminhado ao sistema penitenciário, onde permanece à disposição da Justiça.

Forte esquema de segurança e atuação em diferentes facções

A transferência mobilizou equipes especializadas e contou com escolta integrada, apoio aéreo e atuação de unidades de elite das forças de segurança. De acordo com o delegado Raphael Dias do Carmo Machado, o aparato foi necessário devido ao histórico do investigado. 

“Ele já tem um histórico de fuga, tanto aqui quanto na própria Bolívia. Então, a gente usa todo esse aparato como segurança nossa, dos policiais, e para evitar uma investida da organização dele na tentativa de resgate”, afirmou.

Mesmo foragido e vivendo fora do país, o suspeito continuava atuando no tráfico de drogas, com conexões em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a investigação. “A gente percebeu que ele tem o perfil empresarial. Ele é fornecedor de drogas, exportador de drogas, então ele não se prende a um determinado grupo, a uma determinada facção. Ele busca clientela”, explicou.

Investigação concluída e 38 indiciados

O inquérito conduzido pela Polícia Civil já foi concluído e resultou no indiciamento de 38 pessoas pelos crimes investigados. Segundo a polícia, há elementos que apontam o investigado como liderança dentro da estrutura criminosa.

“A gente aguarda a expectativa de que haja uma condenação. Tem muito elemento da participação dele, do envolvimento dele, desse papel dele de liderança nessa organização, que ele é uma peça central”, afirmou o delegado. Durante o interrogatório, o suspeito permaneceu em silêncio.

Prisão após fuga e vida de luxo

Douglas estava foragido desde julho de 2024, quando rompeu a tornozeleira eletrônica e descumpriu medidas da prisão domiciliar. Ele foi localizado em um condomínio de alto padrão em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde vivia com a companheira.

No local, foram apreendidos documentos falsos, incluindo identidade boliviana e passaporte italiano, além de cerca de US$ 60 mil em dinheiro. O nome do investigado constava no Programa Captura, do Ministério da Justiça, que lista os foragidos mais procurados do país.

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