'Mancha': aliado do PCC vai responder por tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro
Apontado como peça central de facções, homem capturado na Bolívia foi levado sob forte escolta para presídio em Belo Horizonte

Apontado como uma das principais lideranças do tráfico de drogas em Minas e aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC), Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como “Mancha”, foi transferido para o sistema prisional após desembarcar sob forte esquema de segurança no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, nesta terça-feira (17). O chamado recambiamento foi realizado pela Polícia Civil (PC), com apoio da Polícia Federal (PF), após a prisão do investigado na Bolívia.
Segundo a PC, o suspeito responde por tráfico de drogas, organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Ele foi conduzido ao Instituto Médico-Legal (IML) para exames de praxe e, na sequência, teve formalizado o cumprimento do mandado de prisão no Departamento de Operações Especiais (Deoesp), antes de ser encaminhado ao sistema penitenciário, onde permanece à disposição da Justiça.
Forte esquema de segurança e atuação em diferentes facções
A transferência mobilizou equipes especializadas e contou com escolta integrada, apoio aéreo e atuação de unidades de elite das forças de segurança. De acordo com o delegado Raphael Dias do Carmo Machado, o aparato foi necessário devido ao histórico do investigado.
“Ele já tem um histórico de fuga, tanto aqui quanto na própria Bolívia. Então, a gente usa todo esse aparato como segurança nossa, dos policiais, e para evitar uma investida da organização dele na tentativa de resgate”, afirmou.
Mesmo foragido e vivendo fora do país, o suspeito continuava atuando no tráfico de drogas, com conexões em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a investigação. “A gente percebeu que ele tem o perfil empresarial. Ele é fornecedor de drogas, exportador de drogas, então ele não se prende a um determinado grupo, a uma determinada facção. Ele busca clientela”, explicou.
Investigação concluída e 38 indiciados
O inquérito conduzido pela Polícia Civil já foi concluído e resultou no indiciamento de 38 pessoas pelos crimes investigados. Segundo a polícia, há elementos que apontam o investigado como liderança dentro da estrutura criminosa.
“A gente aguarda a expectativa de que haja uma condenação. Tem muito elemento da participação dele, do envolvimento dele, desse papel dele de liderança nessa organização, que ele é uma peça central”, afirmou o delegado. Durante o interrogatório, o suspeito permaneceu em silêncio.
Prisão após fuga e vida de luxo
Douglas estava foragido desde julho de 2024, quando rompeu a tornozeleira eletrônica e descumpriu medidas da prisão domiciliar. Ele foi localizado em um condomínio de alto padrão em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, onde vivia com a companheira.
No local, foram apreendidos documentos falsos, incluindo identidade boliviana e passaporte italiano, além de cerca de US$ 60 mil em dinheiro. O nome do investigado constava no Programa Captura, do Ministério da Justiça, que lista os foragidos mais procurados do país.
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