Falta de diagnóstico

Médico terá de pagar R$ 40 mil a paciente que ficou com sequelas após cirurgia na vesícula em Minas

Profissional teria ignorado sintomas graves e receitou apenas remédios de venda livre

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 22/04/2026 às 08:50.Atualizado em 22/04/2026 às 09:58.
Justiça entendeu que houve negligência no pós-operatório (Freepik / Imagem ilustrativa)
Justiça entendeu que houve negligência no pós-operatório (Freepik / Imagem ilustrativa)

Um médico foi condenado a pagar R$ 40 mil em danos morais a uma paciente que desenvolveu sequelas permanentes após uma cirurgia na vesícula realizada em dezembro de 2008, no município de Comarca de Ferros, na região Central de Minas. A decisão, divulgada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), reconheceu que o profissional foi negligente no acompanhamento pós-operatório, deixando de investigar sintomas que indicavam uma complicação séria.

Após a cirurgia, a paciente apresentou pele amarelada e acúmulo de líquido no abdômen - sinais de vazamento de bile, possivelmente causado por uma lesão ocorrida durante o procedimento. Mesmo diante do agravamento do quadro, o médico optou por um tratamento com medicamentos comuns, sem solicitar exames.

A mulher acabou buscando atendimento em outro hospital em janeiro de 2009, onde foi internada na UTI. A equipe que a recebeu constatou o vazamento de bile no abdômen. Ela passou por drenagem, duas cirurgias reparadoras e ficou internada por um mês em Belo Horizonte para tratar uma infecção hospitalar, além de usar drenos por vários meses. As sequelas são permanentes e comprometem o aparelho digestivo e a capacidade de trabalho.

Na defesa, o médico argumentou que a lesão é um risco comum nesse tipo de cirurgia e que a paciente teria piorado por ter pedido alta por conta própria. O argumento não foi aceito. O relator do caso, desembargador Gilson Soares Lemes, destacou que a piora não decorreu da saída antecipada do hospital, mas sim da falta de diagnóstico correto. 

O tribunal aplicou o entendimento jurídico da "perda de uma chance". Ao ignorar os sinais de complicação, o médico teria desperdiçado a oportunidade de evitar os danos que a paciente carrega até hoje.

Os desembargadores Ramom Tácio e Marcos Henrique Caldeira Brant acompanharam o voto do relator.

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