Operação Onipresença

Médicos anestesistas são investigados por manipular escalas e realizar 'cirurgias simultâneas' em MG

MPMG apura desvio de verbas, manipulação de escalas e graves violações éticas em hospitais da Zona da Mata

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 10/03/2026 às 11:32.Atualizado em 10/03/2026 às 18:35.

Quatro médicos anestesistas são alvos da operação Onipresença, que chegou à terceira fase nesta segunda-feira (9). Os profissionais são investigados por manipular escalas e “realizar cirurgias simultâneas” pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas. Grupo ainda faria parte de uma organização criminosa voltada ao desvio de dinheiro público da saúde e à realização de cirurgias eletivas durante plantões.

A ação, liderada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), cumpriu mandados de constrição e indisponibilidade de bens em Leopoldina e Além Paraíba, na região da Zona da Mata mineira.

As irregularidades ocorreram na Casa de Caridade Leopoldinense e no Hospital São Salvador, unidades conveniadas ao sistema público e referências na rede regional de urgência. Segundo o Gaeco, o grupo era liderado por uma médica e utilizava falsidade documental e manipulação de escalas para sustentar o esquema, gerando graves riscos à vida dos pacientes atendidos.

Negligência 

Segundo o MPMG, as investigações revelaram detalhes perturbadores sobre a conduta dos acusados. Entre as provas colhidas, consta o relato de um médico que sugeriu ao filho, estudante de medicina, que treinasse o procedimento de intubação em “velhos sem dentes”, em tom de ironia. Outro denunciado é acusado de expor imagens íntimas de pacientes.

A apuração também identificou o uso sistemático de documentos falsos para justificar ausências em plantões, com uma das investigadas chegando a autointitular-se a “rainha dos atestados”. Além disso, há indícios de posturas intimidatórias contra testemunhas para interferir na produção de provas durante o processo.

Medidas judiciais

Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou o afastamento imediato dos médicos de qualquer hospital conveniado ao SUS. As provas também foram compartilhadas com os Conselhos Federal e Regional de Medicina (CRM) para processos administrativos e éticos.

O MPMG disponibilizou canais para que eventuais vítimas e familiares tomem conhecimento do teor da denúncia criminal (processo nº 5007321-05.2025.8.13.0384). Interessados podem solicitar acesso aos documentos pelo e-mail lpd1criminal@tjmg.jus.br ou diretamente nas Promotorias de Justiça da região. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos no esquema.

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